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Jamil Chade


OMS: há sinal de estabilização no Brasil, mas resposta terá de ser maior

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durate entrevista coletiva em Genebra -
Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durate entrevista coletiva em Genebra
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

03/07/2020 12h47

O diretor de operações da OMS, Mike Ryan, afirma que existem alguns sinais de estabilização do crescimento da curva de pessoas contaminadas no Brasil pelo coronavírus. Mas alerta que o governo terá de intensificar a resposta se quiser controlar a pandemia e se não quiser que os números voltem a aumentar de forma dramática.

Numa coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira em Genebra, a entidade indicou que o salto no número de casos em maio parece ter perdido parte de sua força no final de junho e nos últimos dias. Ryan, porém, aponta que não há garantia de que os números começarão a cair. Mas insiste que o momento é o de tentar assegurar que não haja uma nova aceleração de casos.

"Os números se estabilizaram nos últimos dias", afirmou. "A esperança é de que não recomece a aumentar", insistiu. A estabilização, segundo a OMS, não significa uma queda e muito menos o fim da crise.

Para ele, "nunca é tarde demais para ter controle" sobre a doença. "A questão é se governos assumem o controle", insistiu.

De acordo com o chefe da OMS, o sistema de saúde no Brasil e as UTIs continuam capazes de lidar com a crise. "Em muitos países, o sistema está saturado. Não chegamos a esse ponto ainda (no Brasil)", disse. Para ele, é o momento de dar crédito aos profissionais de saúde no país.

Mas deixou claro que não há qualquer garantia de solução por enquanto. "Queremos ver mais progresso e uma resposta mais intensa", afirmou.

Questionado de uma forma mais ampla sobre países que abrem suas economias num momento de pico da doença, Ryan deixou claro que os riscos são elevados.

"Se países se abrem sem a capacidade de lidar no setor de saúde, terminarão com o pior cenário. As mortes vão aumentar", alertou.

Ele ainda pede que governos sigam a ciência e a realidade. "Olhem os dados. Não ignorem os dados. Muitos países estão ignorando. Os dados não estão mentindo", alertou.

Ryan admite que governos terão escolhas difíceis a serem tomadas, inclusive para garantir a renda de milhões de trabalhadores. "Mas não podem ignorar problemas. Não irá nos abandonar de forma mágica", alertou.

Segundo ele, mesmo com 20% das pessoas com anti-corpos, como na Suécia, o vírus continua a circular com velocidade. "O mundo não tem uma barreira para uma segunda onda", alertou.

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, também insistiu que "nunca é tarde demais" para controlar o vírus e lembra como Espanha e Itália, depois de um período dramático, conseguiu conter.

Jamil Chade