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Jamil Chade


Sem atalhos contra covid, mundo volta a recorrer a restrições e isolamento

Paciente conversa com a família enquanto convalesce de Covid-19 - André François
Paciente conversa com a família enquanto convalesce de Covid-19 Imagem: André François
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

14/07/2020 06h57

Com mais de 1 milhão de casos registrados em apenas cinco dias e novos recordes diários, as equipes da OMS (Organização Mundial da Saúde) temem que o mundo passe de "quarentena em quarentena", com um efeito social profundo e um impacto econômico ainda maior do que se imaginava.

Em diferentes países que reabriram suas economias, o resultado tem sido uma nova explosão de casos, sem necessariamente uma resposta mais adequada dos governos. A cúpula da OMS não disfarça a preocupação diante de decisões precipitadas de autoridades que, ainda com taxas elevadas de contaminação, optaram por reabrir suas economias.

Há também enormes preocupações quanto a países europeus que, depois de uma forte queda nos números de novos casos, reabriram e viram uma retomada forte de contaminações. Na Catalunha, a taxa se multiplicou por cinco em uma semana, obrigado um parcela da região a voltar a impor restrições de movimentos.

"Não existem atalhos", alertou nesta semana o chefe de operações da OMS, Michael Ryan. "Não voltaremos ao antigo normal no futuro imediato", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, que nesta terça-feira é um dos convidados especiais para as festas do dia 14 de julho em Paris. O evento nacional que marca a Revolução Francesa homenageará profissionais de saúde. Neste ano, porém, o tradicional desfile militar na avenida Champs-Élysées foi cancelado por conta da pandemia.

Pelo mundo, governos têm sido obrigados a repensar suas reaberturas. O esforço é o de não recorrer às quarentenas completas e optar por limitar a movimentação de pessoas.

Na Suíça, reuniões de emergência têm se proliferado para tentar evitar um novo confinamento total. Mas, em seu lugar, a ordem é a de reforçar testes, capacidade de hospitais, organizar a vida social e insistir em passar a mensagem de que a pandemia não acabou.

Na Bulgária, por exemplo, o governo restabeleceu restrições que tinham sido abolidas há duas semanas. Casamentos e batizados poderão ter apenas 30 pessoas e regras foram recolocadas para restaurantes e eventos. Já o governo da Croácia e do Reino Unido decidiram exigir o uso da máscara desde o começo desta semana.

Enquanto isso, na África do Sul, o governo estabeleceu um toque de recolher noturno e o uso de máscaras mesmo fora de locais fechados passou a ser exigido. A ideia do presidente Cyril Ramaphosa é de que a proibição do álcool aliviaria a pressão sobre o sistema de saúde, além de reduzir a violência doméstica e limitar as aglomerações.

Na Índia, um dos centros empresariais mais importantes do país, com escritórios da Microsoft, Apple e Amazon, voltou a ser fechado na região de Bangalore.

Na Hungria, o governo decidiu dividir a população do país em três grupos. Aqueles que voltam de locais considerados como sendo de risco são obrigados a ficar isolados por duas semanas e só poderão voltar a circular depois de dois testes negativos.

Nas Filipinas, 250 mil pessoas na região de Manila voltarão a ser confinados nesta semana por 15 dias. As medidas vão afetar os residentes de Navotas, uma das 16 cidades que formam a capital. As pessoas poderão sair para trabalhar. Mas restaurantes apenas poderão fazer delivery, sem receber clientes.

Em Tanger, as autoridades do Marrocos isolaram a cidade que representa 20% de todos os casos do país.

Em Hong Kong, a Disneylândia voltará a fechar seu parque a partir de quarta-feira, depois de ter reaberto em junho. A partir desta terça-feira, restaurante só podem vender refeições num modelo de "take-away" e estão proibidos de servir nas mesmas. Academias de ginástica, salões de beleza e boates também serão fechados.

Enquanto isso, a Califórnia voltou a fechar bares, restaurantes, cinemas e museus. Em certos locais do estado americano também estão suspensas as atividades em salões de beleza, eventos religiosos ou academias de ginástica.

Bares e restaurantes também voltaram a ser alvos de restrições no estado de New South Wales, na Austrália, depois que surtos foram identificados em locais de lazer. Os estabelecimentos poderão ser multados em mais de R$ 100 mil por dia se violarem as regras de distanciamento social e higiene.

A fronteira do estado com o restante do país, que deveria ser reaberta em 20 de julho, continuará fechada.

Já na Tailândia, apesar da ausência de casos transmitidos internamente por seis semanas, anunciou que está reforçando os controles nas fronteiras.

Jamil Chade