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Jamil Chade

Brasil só fica imune à covid em 2 anos com acordos atuais, diz consultoria

Empresa calculou potencial dos acordos firmados pelo governo brasileiro para vacinar a população  - Reuters
Empresa calculou potencial dos acordos firmados pelo governo brasileiro para vacinar a população Imagem: Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

10/12/2020 15h00

Resumo da notícia

  • Previsão de consultoria britânica é de que 20% da população brasileira poderá estar vacinada em outubro de 2021
  • Projeção leva em consideração acordos do Brasil com Oxford, participação na Covax e parceria entre Butantan e Sinovac
  • Para atingir imunidade é necessário duas doses da vacina por pessoa no país. Percentual mínimo seria 67% da população

Se o Brasil mantiver apenas os acordos atuais com produtoras de vacinas contra a covid-19 pelo mundo, o país terá de esperar mais dois anos para conseguir distribuir doses suficientes para que haja uma imunidade de rebanho (parcela da população suficiente para amenizar o contágio) na sociedade brasileira.

A constatação é de um estudo realizado pela consultoria britânica Airfinity e apresentado nesta semana em um evento com os principais executivos de empresas farmacêuticas do mundo, como Pfizer e Johnson & Johnson. A Airfinity se apresenta como "uma empresa de informação científica e de análise" e que trabalha com multinacionais, governos e investidores no fornecimento de inteligência em ciências.

De acordo com o levantamento, apenas em dezembro de 2022 é que o Brasil conseguiria ter distribuído vacinas para 67% de sua população. Essa é a taxa considerada como mínima para que um freio brusco seja imposto sobre a transmissão do vírus.

O mesmo estudo revela que o Brasil teria como atingir 20% de sua população com vacinas até outubro de 2021. Essa marca é considerada como importante, já que permitiria atender aos três principais grupos de risco: idosos, doentes crônicos e profissionais de saúde.

O cálculo é feito a partir dos atuais acordos assinados pelo Brasil e sua capacidade de produção. Para a entidade, no quadro de hoje isso significa que haverá 1,2 dose por habitante no país. Mas uma imunização robusta vai requerer duas doses por pessoa.

A consultoria explicou à coluna que, para chegar a tal projeção, ela considerou o acordo com a Oxford fechado pelo governo federal, o acordo entre o Instituto Butantan e a Sinovac, da China, e uma reserva de vacinas na aliança mundial, conhecida como Covax. Mas o consórcio, por pedido do governo, vai entregar vacinas para atender a apenas 10% da população nacional, distribuídas ao longo de todo o ano de 2021.

Apesar de quadro crítico, EUA devem ser primeiro país imunizado

O cálculo da empresa de consultoria não inclui o anúncio do governo federal de que está negociando um abastecimento de 70 milhões de doses de vacinas com a Pfizer. Se tal acordo for fechado, o período necessário para a imunização seria reduzido.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, insistiu que o Brasil tem garantidas 300 milhões de doses de vacinas. As primeiras 15 milhões de doses de Oxford chegariam entre janeiro e fevereiro. Segundo ele, até meados do ano, seriam outras 85 milhões.

Pelas projeções da consultoria, o país que primeiro poderia sair da crise sanitária seria os Estados Unidos. Apesar de hoje viver uma situação dramática em termos novos casos e mortes diárias, as autoridades americanos contam com o maior número de acordos comerciais com empresas farmacêuticas. A previsão, portanto, é de que uma imunização mais ampla ocorra no segundo trimestre de 2021.

O Canadá, que comprou vacinas para 600% de sua população, poderia chegar a uma imunização em julho. O Reino Unido também deve atingir esse grau de normalização em julho de 2021, mesmo sendo o primeiro país no Ocidente a começar uma campanha de vacinação nesta terça-feira (8).