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Jamil Chade

Itália, Alemanha e França suspendem dose da Oxford; OMS mantém recomendação

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

15/03/2021 13h59

Cresce a polêmica em relação à vacina da Oxford/AstraZeneca, a principal aposta do governo federal brasileiro para a campanha de vacinação contra a covid-19. Depois de diversos países terem tomado a decisão de suspender o uso das doses de forma provisória, nesta segunda-feira foi a vez da Itália, Alemanha e França também seguir o mesmo caminho e vetar a distribuição da dose, algo que acabou sendo seguido horas depois pela Espanha e outros governos da UE. Hoje, mais da metade do bloco europeu já estabelece alguma restrição para a vacina da Oxford.

Isso ocorreu mesmo depois de a Organização Mundial da Saúde ter insistido para que governos continuassem com o uso das vacinas e que não haveria evidências, neste momento, para justificar a suspensão das vacinas. Para a entidade, há um risco maior de não vacinar e ser contaminado pela covid-19 que o suposto efeito colateral.

O principal argumento das autoridades nacionais é de que precisam aguardar para saber se casos de coágulos de sangue em pessoas vacinadas teriam alguma relação com o imunizante.

"Vários países suspenderam a vacina", disse Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. "Isso não quer dizer que os casos de coágulos estão relacionados com as vacinas. Mas é a rotina controla-los", indicou. Segundo ele, a OMS está avaliando o caso e terá um encontro na terça-feira para tomar uma decisão.

Antes do pronunciamento de Tedros, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, disse, pelo menos até hoje, "não existem evidências de que os incidentes sejam causados pela vacina, e é importante que as campanhas de vacinação continuem para que possamos salvar vidas e conter doenças graves do vírus".

Ainda assim, o Ministério da Saúde alemão indicou que as autoridades locais "consideram necessária mais investigação após novos relatos de trombose cerebral em conexão com a vacinação na Alemanha e na Europa". O ministro da Saúde, Jens Spahn, explicou que sete casos de trombose foram relatados e garantiu que a medida é "puramente preventiva".

Em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, também tomou a decisão de suspender o uso da vacina, até que seja esclarecida a relação entre os casos de coágulos e as doses. Ele, porém, espera que a vacinação seja retomada rapidamente.

Mariângela Simão, vice-diretora da OMS, explicou que a entidade está em contato com as agências nacionais e com a UE e acredita que uma decisão possa ser tomada ainda nesta semana.

"Não parece que temos mais casos de trombose que na população geral", disse. Em sua avaliação, a recomendação é de que ainda há mais benefícios em vacinar que os riscos que a dose supostamente poderia gerar.

Ela também destaca que os problemas encontrados estão com doses fabricadas em plantas europeias, e não com as linhas de produção na Índia ou na Coreia do Sul, onde a vacina da Oxford também é fabricada.

Soumya Suaminathan, cientista chefe da OMS, diz que, por enquanto, não se viu uma relação entre os incidentes registrados e a vacina. Segundo ela, a taxa de casos de trombose é até mesmo mais baixa que no restante da população.

"Das mais de 300 milhões de doses aplicadas, não há sequer uma morte documentada ligada à vacina. E tivemos mais de 2,5 milhões de mortes pela covid-19. Não queremos que as pessoas entrem em pânico e continuamos recomendando para que a vacinação seja mantida", completou.