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Jamil Chade

Corrida ao ouro ameaça floresta e vida na Amazônia, diz Instituto Igarapé

Mina de ouro na Amazônia - REUTERS/Bruno Kelly
Mina de ouro na Amazônia Imagem: REUTERS/Bruno Kelly
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

08/04/2021 10h10

Resumo da notícia

  • Corrida ao ouro ameaça floresta e vidas na Amazônia, revela Instituto Igarapé

Um levantamento publicado nesta quinta-feira pelo Instituto Igarapé revela a dimensão da mineração ilegal do ouro na Amazônia e seu impacto tanto para a floresta como para indígenas e moradores da região.

Citando um levantamento realizado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental (Raisg), o documento diz que nada menos que 321 pontos de mineração ilegal foram identificados em nove estados da região,

"Corrupção, desmatamento, violência, contaminação de rios. Ilegalidades cometidas no ciclo do ouro têm provocado a destruição de florestas e de vidas, sobretudo de populações indígenas, na Amazônia brasileira", alerta o estudo.

De acordo com o instituto, o aumento na procura geral por ouro nos últimos anos gerou um crescimento também na demanda relacionada à mineração ilegal de ouro na região. "As consequências são mortais", afirma.

O estudo revela que, nos últimos 20 anos, a cotação do ouro aumentou de US$ 400 para US$ 1.861,50 por onça em razão da elevada demanda da China e da Índia. "Um aumento na procura geral provocou uma demanda relacionada pela mineração ilegal de ouro, uma indústria que, segundo estimativas, rende entre US$ 12 bilhões e US$ 28 bilhões ao ano", diz.

A contribuição do garimpo para as taxas de desmatamento em territórios indígenas na Amazônia aumentou de 4%, em 2017, para 23% em junho de 2020, de acordo com o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter).

A publicação mostra como, somente entre 2017 e 2019, 1.174 hectares de floresta foram perdidos em razão da mineração de ouro no território Yanomami e, em 2019, o território teve as maiores taxas de desmatamento dos últimos dez anos, chegando a 418 hectares.

Enquanto isso, o território Munduruku viu o maior aumento no desmatamento em 2020, com imagens de satélite revelando um crescimento de 58% no desmatamento relacionado à mineração, nos primeiros quatro meses de 2020, comparando-se com o mesmo período do ano anterior.

"Além disso, garimpeiros usam mercúrio para extrair o metal, contaminando rios, peixes e quem depende deles para viver, como os povos indígenas Yanomami e Munduruku. De acordo com o Ministério Público Federal, 1 kg de ouro representa cerca de R$1,7 milhão em danos ambientais, resultando em um custo cerca de 10 vezes maior que o preço do mercado do ouro", alertam.

Medidas

Para o Igarapé, medidas urgentes precisam ser tomadas, como o reconhecimento e a proteção de terras indígenas e o rechaço do Projeto de Lei nº 191/2020, que tramita no Congresso Nacional, abrindo essas terras para exploração mineral.

Outra ação que poderia ajudar seria a digitalização da compra do ouro e o estabelecimento de novos critérios para concessão de permissão de lavras garimpeiras para que mecanismos efetivos de controle possam ser implementados.

"A preservação da floresta amazônica é fundamental para que se evite um colapso climático irreversível. Dessa forma, a necessidade de impedir a mineração ilegal e proteger as terras indígenas na Amazônia é mais urgente do que nunca", afirmam os autores do documento.