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Jamil Chade

REPORTAGEM

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OMS: mundo vive "situação perigosa" e se distancia do fim da pandemia

Covid: Brasil tem 939 mortes em 24 h e 179 dias de média acima de mil - PILAR OLIVARES
Covid: Brasil tem 939 mortes em 24 h e 179 dias de média acima de mil Imagem: PILAR OLIVARES

Colunista do UOL

19/07/2021 13h29

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Resumo da notícia

  • Agência admite que "não sabe" quando a pandemia vai terminar
  • OMS criticou governos que acharam que poderiam abrir suas economias, sem ter o vírus controlado: "tolice"

A OMS (Organização Mundial da Saúde) lança um alerta sobre a situação da pandemia da covid-19 no mundo e aponta para um aumento no número de novos casos de contaminação de 11,5% em apenas sete dias. Para a entidade, é "hora de ser honestos" e admitir que não se sabe quando a pandemia vai terminar.

"Estamos numa situação muito perigosa", disse Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, nesta segunda-feira em Genebra. "Ainda vemos aumento de mortes e casos", afirmou. Além do aumento da transmissão, os óbitos nos últimos sete dias tiveram uma expansão de 1% no mundo. "Estamos nos distanciando do fim da pandemia", lamentou. Para ela, o vírus continua a manter o controle sobre sua disseminação.

Questionados sobre o fim da pandemia, os representantes da OMS admitiram: não há como saber quando isso vai ocorrer. "Temos de ser honestos com os pacientes: não sabemos", admitiu Mike Ryan, diretor de operações da agência. "O que sabemos é que, se fizermos as coisas certas, vamos terminar com a pandemia mais cedo", disse. Para ele, deve haver maior distribuição de vacinas se o mundo quer ver o fim da crise.

Por enquanto, porém, os números continuam a crescer. No Sudeste Asiático, o aumento de novos casos em uma semana foi de 12%, contra 21% na Europa.

Nas Américas, a alta em contaminações foi de apenas 0,5% e houve uma queda de mortes de 5%. Mas a OMS alerta que não existe nada a ser comemorado. "Foram quase 1 milhão de novos casos nas Américas e 22 mil mortes. Portanto, ainda estamos longe do fim nas Américas", disse Maria van Kerkhove.

Ela destacou a existência de 300 mil novos casos no Brasil e apontou como certos países estão "presos" numa situação de "elevada intensidade de transmissão" e não conseguem promover uma queda mais drástica da contaminação. "Isso é preocupante, já que os instrumentos existem", disse.

Mike Ryan também destacou como a região sul-americana tem vivido um prolongado período de intensa transmissão. Ele também destaca como, diferentemente da Europa, a vacinação ainda não garantiu uma queda importante no número de mortes na região.

Segundo ele, governos não podem depender apenas da vacina para desacelerar o vírus. "As vacinas funcionam. Podem não funcionar perfeitamente. Mas quem está imunizado tem chance muito menor de morrer", disse Ryan.

Mas, segundo o representante da OMS, o mundo está distante de conseguir uma cobertura suficiente para evitar contaminações e mortes. "Só a vacina não funciona", insistiu.

Só controle da pandemia pode relançar economia

Ryan ainda criticou governos que, há um ano, optaram por abrir suas economias. "Foi um tiro no pé", alertou. Sem citar nomes, o representante da OMS insistiu que a evolução da doença mostrou que apenas com o controle do vírus é que a economia pode voltar a crescer.

Ele admite que certos governos tiveram de abrir suas economias como forma de garantir a renda de sua população. Mas alertou contra líderes que usaram a economia como justificativa. "Isso é uma tolice", criticou. "Se precisar abrir a economia, faça com os olhos abertos, avaliando os riscos", apelou.

A recente alta no número de casos, segundo a OMS, vem ainda da proliferação de novas variantes do vírus. Para a agência, a mutação Delta caminha para ser a versão dominante do coronavírus no mundo, já presente em mais de cem países. Mas a OMS deixa claro que, no atual ritmo de contaminações, essa não será a última mutação.

Além da mutação, a proliferação de aglomerações e o uso errado de medidas sociais, como distanciamento, máscaras e testes, estão contribuindo para uma pandemia que não dá sinais de terminar. A desigualdade no acesso às vacinas ainda é outro fator, considerado como fundamental.