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Jamil Chade

Estudo citado por OMS: CoronaVac tem eficácia de 71% contra morte de idosos

Personagem da semana: Mapeamento da OMS aponta CoronaVac com resultado inferior às outras vacinas - Arte/UOL
Personagem da semana: Mapeamento da OMS aponta CoronaVac com resultado inferior às outras vacinas Imagem: Arte/UOL
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

31/07/2021 04h00

A CoronaVac garante uma eficácia de 71,4% para evitar mortes entre a população com média de idade de 76 anos. A informação faz parte de um estudo liderado por pesquisadores da USP, Fiocruz e que teve acompanhamento de membros da Organização Pan-Americana de Saúde, de universidades e institutos da Europa e dos Estados Unidos.

Nesta semana, este estudo foi citado como referência num levantamento global publicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A agência trouxe um mapeamento dos resultados de pesquisas realizadas para avaliar o impacto das vacinas contra a covid-19, em contextos de "mundo real" —e não em testes clínicos ou laboratoriais, como foram apresentados inicialmente.

A OMS divulga mapeamento dos estudos com imunizantes todos os meses —a última edição, de julho, foi a mais completa, com 90 pesquisas.

Após seis meses do início das campanhas de vacinação pelo mundo, a OMS reafirma que os imunizantes funcionam e que serão fundamentais para controlar a doença. Mas alerta que a desigualdade em relação à distribuição de vacinas é ainda profunda, deixando bilhões de pessoas sem proteção.

No caso da vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e produzida pelo Instituto Butantan, o documento da agência internacional cita um estudo realizado no Brasil e liderado pelo pesquisador Otavio Ranzani, da USP (Universidade de São Paulo) e do Instituto de Saúde Global de Barcelona, na Espanha.

Nele, constata-se de forma positiva que a vacina está relacionada com a redução de casos sintomático de covid-19, queda de hospitalização e redução de mortes em idosos acima de 70 anos de idade em locais onde há transmissão extensa da variante Gamma —que foi detectada inicialmente em Manaus. Para os pesquisadores, existe uma "proteção significativa".

No geral, a CoronaVac apresentou 41,6% em eficácia contra covid-19 sintomática após 14 dias da segunda dose com uma população com idade média de 76 anos.

Para essa mesma população, a eficácia em evitar a morte atingiu 71,4% e 59% contra contra hospitalização.

Eficácia só com segunda dose

Realizado com 15,9 mil pessoas com pelo menos 70 anos de idade no estado de São Paulo, o estudo mostrou que é necessária uma segunda dose. Com apenas uma dose, a vacina é eficaz apenas em 10,5% em casos sintomáticos, 18% em evitar hospitalização e 31,6% em evitar mortes.

A eficácia ainda cai com idade cada vez mais avançada, principalmente na população com mais de 80 anos.

Entre a população com idade de 70 a 74 anos, a vacina mostrou uma eficácia de 61.8% contra a doença sintomática, 80,1% contra hospitalização e 86% contra mortes.

Em seu mapeamento, a OMS mostrou dados indicando que outras vacinas tiveram resultados mais fortes. Também foram avaliadas as doses da AstraZeneca no Reino Unido, além de estudos diferentes sobre Pfizer no Canadá, Reino Unido e Israel; e Moderna, com taxas de eficácia acima de 90%.

Imunizantes usados em campanhas contra outras doenças —como gripe e tuberculose— têm eficácia entre 60% e 70%. O valor, porém, varia ao longo dos anos e já atingiu menos de 50%.

A eficácia da vacina contra a gripe é menor do que a da CoronaVac e a gente nunca precisa ficar explicando isso, porque já controlamos essa epidemia. O que a gente objetiva com a CoronaVac e os outros imunizantes contra a covid-19 é ter justamente algo como com a gripe. E para ter esse controle da doença, só com vacinação em massa."
Gustavo Cabral, imunologista, pesquisador da USP/Fapesp e colunista do VivaBem

A CoronaVac foi a primeira vacina aplicada no Brasil, em janeiro, quando a campanha de imunização começou. O imunizante foi desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac, em pareceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo. Por causa disso, foi alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), adversário político do governador João Doria (PSDB-SP) e ainda é questionada por seus apoiadores.

Mas tem sua eficácia comprovada e já foi liberada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) —como a AstraZenece/Oxford, a Pfizer e a Janssen, outras vacinas encontradas nos postos do país.

OMS distribuirá vacina da Sinovac ao mundo

A OMS também já chancelou a CoronaVac, que inclusive passou a entrar na rede de distribuição global e é considerada como eficiente o suficiente e segura para ser aplicada.

Não há qualquer plano da agência de rever o status, e acordos têm sido fechados com a Sinovac, a produtora da vacina, para que o imunizante entre no consórcio Covax Facility, que distribui doses para diversos países.