PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

Mapa da OMS aponta CoronaVac com resultado inferior às demais vacinas

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

28/07/2021 06h47Atualizada em 28/07/2021 19h26

Resumo da notícia

  • OMS não tem qualquer intenção de rever compra e ou repensar sua chancela dada para a vacina da Sinovac
  • Na última semana, Brasil teve alta de 13% em novos casos da covid-19 e queda de 9% em mortes

Em sua avaliação semanal sobre o estado da pandemia da covid-19 pelo mundo publicado nesta quarta-feira (28), a OMS (Organização Mundial da Saúde) destacou o resultado positivo da eficácia das vacinas depois de mais de seis meses de campanhas de imunização, ainda que dúvidas existam sobre o impacto das variantes.

Mas, em seu mapeamento dos estudos internacionais sobre os diferentes imunizantes e sua eficácia em "cenário do mundo real", a agência traz dados indicando que a CoronaVac apresenta resultados inferiores aos demais produtos.

Até hoje, os dados apenas se referiam aos testes realizados pela empresas e monitorados por agências nacionais e internacionais. Mas com mais de seis meses de campanhas de vacinação, os primeiros estudos mais completos são apresentados sobre o impacto dos imunizantes na vida cotidiana de milhões de pessoas.

A OMS já chancelou a CoronaVac, que inclusive passou a entrar na rede de distribuição global e é considerada como eficiente o suficiente e segura para ser aplicada. Não há qualquer plano da agência de rever tal status, e acordos têm sido fechados com a Sinovac, a produtora da vacina.

O documento da agência internacional cita um estudo realizado no Brasil e liderado pelo pesquisador Otavio Ranzani. Nele, constata-se de forma positiva que a vacina está relacionada com a redução de casos de covid-19, queda de hospitalização e redução de mortes em idosos acima de 70 anos de idade em locais onde há transmissão extensa de Gamma.

O estudo indica que ela é apenas efetiva com uma segunda dose e que a eficácia cai com idade cada vez mais avançada.

No geral, a CoronaVac apresentou 41% em eficácia contra covid-19 sintomática, 71% contra mortes e 59% contra contra hospitalização.

Em cerca de outros dez estudos realizados pelo mundo com outras vacinas, os resultados da eficácia apontaram para taxas acima de 70%. Também foram avaliadas as doses da AstraZeneca no Reino Unido, 16 estudos e diferentes sobre Pfizer no Canadá, Reino Unido e Israel e Moderna, com taxas de eficácia acima de 90%.

Imunizantes usados em campanhas contra outras doenças —como gripe e tuberculose— têm eficácia entre 60% e 70%. O valor, porém, varia ao longo dos anos e já atingiu menos de 50%.

Mundo vê salto de 21% em mortes; EUA voltam a superar Brasil

Com um ritmo de vacinação desigual pelo mundo e medidas precipitadas de governos para reabrir suas economias, o mundo vê um novo avanço da pandemia da covid-19. Na semana entre os dias 19 e 25 de julho, foram 3,8 milhões de novas contaminações, uma alta de 8% e liderada pelas Américas e região do Pacífico.

De acordo com a agência, no atual ritmo, o mundo irá superar a marca de 200 milhões de casos acumulados em menos de duas semanas.

Mas foram as mortes que mais surpreenderam a OMS. Em seu informe semanal, a entidade aponta para um salto de 21% nos óbitos, em comparação ao período entre os dias 11 e 18 de julho. No total, foram 69 mil registros. O número é o maior desde abril, quando a vacinação ainda engatinhava.

No caso das Américas, os números voltam a assustar. Depois de três meses de quedas em mortes e novos casos, a região registrou alta de 30% na transmissão e 29% em óbitos. Foram 1,2 milhão de novos casos e 29 mil mortes na semana.

Os EUA voltaram a liderar, com alta de 131% nos casos e 500,3 mil novos registros na semana. A nova realidade forçou as autoridades a reconsiderar o uso de máscaras, enquanto o governo insiste em campanhas para convencer a população a se vacinar. No Brasil, foram 324 mil novos casos, um aumento de 13% em comparação à semana anterior.

Em termos de mortes, foram 8,8 mil no Equador (o número mais alto nas Américas), contra 7,9 mil no Brasil —uma queda de 9% no país.