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Jamil Chade

Na OMC, Brasil pede maior abertura da China para carnes

Bolsonaro presenteia Xi Jiping com camiseta do Flamengo - Reprodução/Twitter
Bolsonaro presenteia Xi Jiping com camiseta do Flamengo Imagem: Reprodução/Twitter
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

20/10/2021 11h31

O governo brasileiro usou uma revisão da política comercial da China para defender uma maior aproximação entre as duas economias e maior abertura comercial. Num discurso, o Itamaraty deixou claro que quer ampliar o acesso a seus produtos no mercado chinês, inclusive no que se refere à carne.

Na OMC, cada um dos países passa por um exame de sua política comercial, um exercício de transparência. Trata-se também de uma oportunidade para que parceiros comerciais demonstrem preocupações sobre eventuais barreiras.

No caso brasileiro, a interrupção das exportações de carne bovina do país para a China passou a preocupar o setor e o governo, que buscam soluções.

Na OMC, nesta quarta-feira, o Itamaraty deixou claro que quer aprofundar o acesso ao mercado chinês.

"A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2009, tornou-se o maior mercado de exportação do Brasil; em 2012, a principal fonte de bens importados do Brasil", disse Alexandre Parola, embaixador do Brasil na OMC.

"O comércio bilateral Brasil-China atingiu um recorde de US$ 102,6 bilhões em 2020, com um superávit de US$ 33 bilhões para o Brasil. Entre janeiro e agosto de 2021, nosso comércio bilateral com a China foi avaliado em US$ 93,8 bilhões - um aumento de 35% em comparação com o mesmo período do ano passado", disse.

Ele citou justamente o exemplo das exportações de carne bovina do Brasil para a China, que aumentaram 74% em volume em 2020, para um valor de USD 4 bilhões.

"O Brasil é agora o principal fornecedor de carne bovina da China", disse. "O Brasil também continua a ser a principal fonte de soja da China, fornecendo 63% das importações chinesas deste produto. O minério de ferro e o óleo cru também são itens importantes em nossas exportações para a China. O Brasil, por sua vez, importa uma grande variedade de produtos manufaturados da China", afirmou.

Seu apelo, porém, é por uma abertura maior.

"Desde o início de 2019, o Brasil e a China concluíram uma série de importantes acordos sobre questões sanitárias e fitossanitárias, inclusive para a exportação de carne bovina termoprocessada do Brasil", disse.

"No entanto, acreditamos firmemente que é possível fazer mais progressos nesta área, como por exemplo no reconhecimento pela China do status do Brasil como livre de febre aftosa, e como um país de "risco insignificante" para a Encefalopatia Espongiforme Bovina, bem como na assinatura de protocolos para a exportação de proteína de soja, milho, gengibre e outros produtos agrícolas", defendeu.

Outro ponto destacado é a necessidade de que a China não se limite a comprar commodities brasileiras.

"As exportações brasileiras para outros mercados - como a América Latina, os Estados Unidos e a União Europeia - mostram uma participação muito maior de produtos industriais. A composição de nossas exportações para a China não reflete a diversificação da economia brasileira. As ações para incentivar uma maior diversificação das exportações continuam a ser uma prioridade para nosso governo. Esperamos continuar nossos esforços conjuntos com a China a fim de promover a expansão e diversificação mais equilibrada dos fluxos comerciais bilaterais", disse.