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Jamil Chade

Um turista em Roma: Bolsonaro visita casa de salame e Fontana di Trevi

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

29/10/2021 13h41

Saindo escondido da embaixada onde está hospedado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou parte de seu primeiro dia em Roma, nesta sexta-feira, para fazer um passeio turístico de quase duas horas e que passou por alguns dos pontos mais visitados da capital italiana.

Enquanto isso, na cidade que concederá o título de cidadão honorário para o brasileiro, a prefeitura liderada pela extrema-direita foi alvo de uma manifestação: Esterco foi colocado na porta do pequeno prédio da cidade de Anguillara Veneta, local de origem da família Bolsonaro.

O presidente, porém, insistiu ao chegar em Roma que estava feliz por visitar o local de onde vieram seus antepassados. Ele, porém, não fez um só comentário sobre a cúpula do G20.

Além de confraternizar com apoiadores, Bolsonaro ainda tinha outros planos para a sexta-feira. Poucas horas depois de desembarcar para a cúpula do G20, que ocorre no fim de semana, ele saiu pelas portas do fundo da embaixada do Brasil para evitar a imprensa. Ao lado de seu filho Carlos, ele caminhou para o Panteão, Campo de Fiori, Via del Corso e visitou a Fontana di Trevi. Pessoas que estiveram com ele garantiram que o presidente não jogou uma moeda.

Um dos pontos altos da excursão foi uma parada numa salumeria. Os donos, ao serem informados que se tratava do presidente do Brasil, ofereceram queijos e frios, como spalla cotta, culatello di Zibello e petorino trufatto.

De acordo com diplomatas que estiveram com o presidente, o local ainda ofereceu grappa ao brasileiro, que faz sua primeira visita à cidade italiana. Mas ele preferiu uma Coca-Cola.

Enquanto ele passeava pela cidade, seus assessores não explicavam à imprensa onde estava o presidente e nem informavam seu destino, alegando "desconhecimento".

Bolsonaro caminhou todo o tempo sem máscara, ainda que a recomendação das autoridades de Roma seja pelo uso da proteção sempre que haja alguma aglomeração.

Se sua assessoria se calava para explicar à imprensa onde estava o presidente, seu passeio contou com um esquema organizado de imagens, cuidadosamente apresentadas para dar uma impressão de amplo apoio ao brasileiro.

Sem vacinar, Bolsonaro apenas pode entrar nos locais se apresentar um certificado de que foi testado. O PCR é válido por apenas 48 horas.

Em Roma, o único compromisso oficial de Bolsonaro nesta sexta-feira é um encontro protocolar com Sergio Mattarella, presidente da Itália e anfitrião do G20. O italiano, por praxe, recebe todos os convidados ao evento.

Num esforço para demonstrar que Bolsonaro não está isolado, diplomatas insistiram que, no sábado, o presidente terá um jantar oficial com o G20, também um protocolo seguido há anos por todos os organizadores do evento.

Já no domingo, o chanceler brasileiro Carlos França terá um encontro bilateral com seu homólogo francês. Os dois países vivem um momento de atritos.