PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

Novas infecções no Brasil aumentaram em 193% em uma semana, diz OMS

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante entrevista coletiva em Brasília - Mateus Bonomi/Reuters
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante entrevista coletiva em Brasília Imagem: Mateus Bonomi/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

18/01/2022 18h45Atualizada em 18/01/2022 21h04

O número de pessoas infectadas pela covid-19 no Brasil aumentou em 193% em uma semana, com quase meio milhão de casos. Os dados foram publicados nesta terça-feira (18) pela OMS (Organização Mundial da Saúde), usando apenas os registros conhecidos de dados oficiais.

O país vive uma situação de subnotificação de casos após um apagão nos sistemas do Ministério da Saúde e em meio à escassez de testes -- a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) orienta priorizar a testagem de pacientes com sintomas graves, por causa do risco de desabastecimento.

Mesmo assim, a taxa de expansão é uma das mais altas no período avaliado e bem acima da média mundial de 20%.

O cálculo se refere ao período de sete dias que terminou no último domingo (16). A entidade destaca que quase 19 milhões de novos casos da covid-19 foram detectados apenas em sete dias no mundo. A taxa é recorde e representa um volume maior que todos os casos registrados nos seis primeiros meses da covid-19.

De acordo com a OMS, a variante ômicron é a responsável por esse "tsunami" de casos. Ainda que a taxa de mortos tenha se mantido estável em 45 mil óbitos na semana, a agência insiste que não há como declarar a variante como "suave".

Para fazer seu levantamento, a OMS conta com os dados nacionais, fornecidos por cada um dos governos. Com falta de testes e um apagão de dados, a situação brasileira é considerada por alguns técnicos dentro da agência como preocupante.

A liderança ainda da semana é dos EUA, com 4,6 milhões de novos casos. O volume foi equivalente às taxas dos sete dias que antecederam ao novo cálculo.

A segunda posição é da França, com 2 milhões de casos e um aumento de 26%.

Na Índia, com 1,5 milhão de novas infecções, a expansão na semana foi de 150%, contra um aumento de 25% na Itália onde 1,2 milhão de casos foram registrados.

Nas Américas, a alta foi de 17%. Mas locais como Martinica, El Salvador e Equador tiveram aumentos de 638%, 365% e 308%, respectivamente.

Em números absolutos, os americanos são seguidos pelos argentinos, com 767 mil casos e um aumento de 73%.

O Brasil aparece na terceira posição na região, com 476 mil novos casos e um aumento de 193% em comparação aos sete dias que antecederam o novo informe da OMS.

O número de mortes também subiu nas Américas, superando 15 mil óbitos na semana. O aumento foi de 7%. Nos EUA, foram 10,4 mil mortes, uma queda de 5%. O Brasil vem em segundo lugar, com um aumento de 27%.

Mais casos

Apesar da situação preocupante em relação aos registros de casos no Brasil, houve períodos, no ano passado, em que os números estavam mais altos. Segundo levantamento da OMS, na semana de 22 de março de 2021, foram mais de 533 mil notificações. Em 21 de junho, mais de 521 mil.