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José Luiz Portella

REPORTAGEM

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Ludhmila Hajjar: A USP vai melhorar o Brasil

Ludhmila Hajjar - Reprodução
Ludhmila Hajjar Imagem: Reprodução
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

27/11/2021 04h00

Ludhmila Abrahão Hajjar, a médica professora de Cardiologia da FMUSP e Coordenadora da Pós-Graduação de Cardiologia da USP, Diretora da Cardio-Oncologia do InCor, que teve a coragem de dizer não a Bolsonaro, por arrostar as concepções de combate à pandemia da parte dele, concedeu entrevista exclusiva à UOL, entusiasmada com a nova chapa eleita para a Reitoria, chapa USP Viva, com os professores - doutores Gilberto Carlotti, Reitor, e Maria Arminda, vice, acreditando que a USP possa proporcionar um grande impulso e imensa contribuição para o Brasil.

Doutora Ludhmila é muito ativa e efetiva, e vai acompanhar de perto as realizações da chapa eleita, que venceu bem a consulta junto à comunidade acadêmica, e a eleição no colégio eleitoral com boa diferença:1156 x 795 com comparecimento de 94,4% do eleitorado habilitado. Ela fala com clareza da chapa, da contribuição da USP e das necessidades da área acadêmica. Leia:

O que você acha que representa para USP a vitória da chapa USP Viva?

A vitória da Chapa USP Viva com os professores Carlotti Jr e Maria Arminda como reitor e vice-reitora respectivamente, significa muito para a USP e para a sociedade. A campanha da USP Viva mobilizou docentes, discentes, servidores e técnicos da Universidade que se identificaram com o projeto apresentado e que desejam resgatar o protagonismo da nossa universidade. A proposta da chapa tem como elementos centrais pontos que considero fundamentais para o futuro. O plano baseia-se nos seguintes tópicos: promoção da inclusão e da diversidade a todos os segmentos da universidade com múltiplas ações afirmativas, valorização e recomposição salarial dos servidores técnico-administrativos e dos docentes; excelência na pesquisa e na inovação com foco na internacionalização; modernização do ensino de graduação e pós-graduação, e o resgate de sentimento de pertencimento à nossa Universidade.

O que São Paulo pode esperar da nova gestão na USP?

Tenha certeza que não só o estado de São Paulo mas todo o Brasil se orgulhará dessa nova gestão. Será implementada uma proposta inovadora, moderna, plural, que coloca a Universidade em seu papel central na sociedade, que restaura o protagonismo da USP na educação, pesquisa e geração de ciência e tecnologia no estado de SP e em todo o país.
Com um reitor médico, e uma vice-reitora socióloga, ações propositivas para a saúde do povo brasileiro, sustentabilidade e liderança cultural serão elementos centrais da nova gestão. O compromisso de estimular a pesquisa e a inovação científica e tecnológica sem deixar de lado a valorização humana é central a uma universidade como a USP. Nesse projeto que acreditamos.


A USP pode significar um novo momento para São Paulo e para o Brasil?

A USP representa sim uma nova perspectiva para a sociedade brasileira. O Brasil vive um momento difícil, caracterizado por injustiça social, desigualdade em todos os setores, desvalorização da ciência e obscurantismo. As universidades, por serem instituições de produção do conhecimento e do saber científico devem reassumir um protagonismo perante a sociedade, com projetos de transformação e crescimento da sociedade como um todo. A USP tem todos os elementos para assumir importante papel na ciência, nas artes e na cultura, com diálogo continuado com a sociedade e com as demais instituições, apontando novos caminhos e soluções para com brilhantismo participarmos da transformação da nossa Nação.
Responsabilidade social, protagonismo e excelência devem ser as concepções fundamentais a orientar a USP nesse momento que vivemos.

O que a área acadêmica está esperando e precisando?

A área acadêmica precisa ser valorizada de fato no Brasil. Nossa comunidade universitária apoiou o projeto USP viva pelo compromisso com a retomada do protagonismo na área acadêmica. Esperamos modificações e foco nos seguintes tópicos.
A) valorização de implementação de polícias afirmativas;
B) a internacionalização deve preponderar no ensino em todo o espectro : intercâmbio de alunos, professores, troca de conhecimento, publicações compartilhadas, acordos de colaboração internacionais, busca de financiamento internacional, estratégias de inovação conjuntas, estímulo à disciplinas e formação do aluno na língua estrangeira, e reconhecimento internacional da universidade;
C) Implementação de estratégias para reter os talentos, para estimular os alunos e os jovens docentes a investir na carreira universitária.
D) A graduação e a pós-graduação devem ter incentivos e metas em busca da excelência, da formação do pensamento crítico, enfim, estarem preparadas para entregar a sociedade civil profissionais e cidadãos capazes de transformar a nação;
E) as Universidades brasileiras precisam voltar a ser protagonistas da artes, culturas e ciência no Brasil, em suma, reassumir seu papel, ser valorizada, receber investimentos, ser prioridade para o país;
F) o orgulho de ser professor, de ser jovem docente, tem que ser recuperado. Isso se faz com revisão das políticas salariais, com a criação de novos cargos e oportunidades, com estímulos à progressão da carreira docente, dentre outras.
Por acreditar tanto na importância da recuperação da área acadêmica para a reconstrução do nosso país, é que estamos motivados a fazer uma gestão transformadora e focada nas pessoas.

Fernando Henrique Cardoso também saudou a professora Maria Arminda, porque a conhece há muito das Ciências Sociais -USP, voltando aos tempos acadêmicos e o professor-doutor Celso Lafer também cumprimentou e apoiou a chapa.

São esperadas novas manifestações de apoio, sobretudo, da área médica, em momento que esta volta a ocupar o protagonismo de combate à nova cepa da Covid, Ômicron.