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José Luiz Portella

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

PSD e União Brasil caminham para liberar os partidos na eleição 2022

25.set.2021 - O ex-governador Geraldo Alckmin (e) cumprimenta o  presidente do PSD, Gilberto Kassab,   durante ato político para  selar uma aliança para as eleições estaduais de 2022.  nascer da fusão PSL-DEM são as opções na mesa - 25.set.2021 - Bruno Rocha/Estadão Conteúdo
25.set.2021 - O ex-governador Geraldo Alckmin (e) cumprimenta o presidente do PSD, Gilberto Kassab, durante ato político para selar uma aliança para as eleições estaduais de 2022. nascer da fusão PSL-DEM são as opções na mesa Imagem: 25.set.2021 - Bruno Rocha/Estadão Conteúdo

Colunista do UOL

29/04/2022 16h48

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Embora ainda não confirmado oficialmente, PSD e União Brasil, dois dos maiores partidos em termos de bancadas, estão na direção de liberar o partido na eleição presidencial, segundo fontes ligadas a ambos.

É o Brasil!

Dois partidos que são grandes e serão vitais na formação da base congressual do próximo governo, seja ele qual for, não terão candidatos para expressarem de forma aguda e clara, qual a proposta que defendem para governar o país. Ruim.

Kassab bem que tentou realmente, não foi um jogo de cena, ele entendia que chegara a hora do PSD evidenciar sua identidade e se tronar um partido de ponta, o que só ocorre ao se possuir candidato a presidente da República.

Creio que ele estava certo. Em dado momento, ele fulgurava no Olimpo, teria Alckmin como candidato a governador, e Rodrigo Pacheco a presidente.

Ambos roeram a corda. Alckmin postergou, enrolou, até encontrar uma saída para seus sonhos frustrados de lidar com problemas nacionais, que tiveram um retorno esquálido por parte do eleitorado nas eleições de 2018. Kassab, com toda sua experiência, foi surpreendido.

Certa vez, e falou que não acreditava que Alckmin abandonaria a hipótese de concorrer em SP, com uma eleição praticamente ganha.

Pacheco foi pior. Saiu do DEM para o PSD com esse propósito consagrado, foi procrastinado, "mineirando", se viu que Pacheco estava luzindo na cor amarela de nossa bandeira, e ele foi saindo de fininho, mas sem sair da poltrona de possível candidato. Não chovia, nem molhava.

Precisou ser apertado por Kassab e companheiros para liberar a vaga.

Eduardo Leite se insinuou, e teve algumas conversas com Kassab, acenando positivamente. Mas, Leite, no melhor estilo tucano clássico, diante de opções, sambou no muro.

E, influenciado por Aécio e aliados, decidiu ficar no PSDB, de olho na manobra que tiraria Doria, e não tirou. Tudo somado, virou comédia.

Kassab ainda tentou outro nome, mas precisaria estar filiado e não estava. Kassab foi resiliente na proposta.

Vencido pela ausência de coragem dos prospectados, passou a consultar o partido. Que como não é de centro, nem de direita, nem de esquerda, tem palanques regionais de todo lado, conforme o interesse do guru local, neste triste espetáculo partidário que temos no Brasil, plasmado pelo STF de 2006, em nome de suposta democracia.

Kassab já consultou: RJ do esperto Eduardo Paes, que deseja ter candidato próprio, que sabe que não haverá, e então quer libera geral. BA , quer coligação com Lula na esteira de Otto Alencar, RS , mesma posição do RJ, que se repete também no PR, onde Ratinho é muito importante, AM de Omar Aziz, quer coligação com Lula, PA segue RJ.

Ou seja, para contentar a maioria e não deixar o partido em convulsão nacional, tudo se encaminha para o libera geral, e compõe depois.

União Brasil, que pegou um bilhão, por conta da força de Bolsonaro em 2018, tem um DEM definhado e apostando em ACM Neto, seu futuro no colégio de governadores.

Só que União tem vários deputados que não foram com Bolsonaro, por conta dos respectivos eleitorados, mas votam com Bolsonaro, e desejam usufruir do gozo do Poder. No DEM também tem.

Melhor então é fingir que o candidato é Bivar, que não é conhecido na avenida Paulista, na praça da Sé, nem na praia de Ipanema, que está lá para dizer que o partido possui algum para negociar. Usou a terceira via para valorizar e valorar o passe, e está escorregando para a liberação, com o neófito e desastrado ex-candidato Moro, que deveria ser candidato a deputado para ter foro.

Mesmo modelo PSD, compõe depois da eleição, com quem vencer.

É o Brasil descendo a ladeira, mas é o que temos.

Kassab sabe disso. Bivar também.