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Josmar Jozino

Buda e "Senhor das Armas": presos por roubo em SC pregavam matar PMs em SP

Márcio Geraldo Alves Ferreira, 34 anos, o Buda, integrante do PCC preso acusado de participar do assalto a banco em Cricíúma (SC) - Reprodução
Márcio Geraldo Alves Ferreira, 34 anos, o Buda, integrante do PCC preso acusado de participar do assalto a banco em Cricíúma (SC) Imagem: Reprodução
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

05/12/2020 04h01

Encomendar a morte de policiais civis e militares em São Paulo a mando do PCC (Primeiro Comando da Capital) era uma das funções de Márcio Geraldo Alves Ferreira, 34, o Buda, e Francisco Aurélio Silva de Melo, o XT, presos nessa quinta-feira (3) e apontados como mentores do assalto ao Banco do Brasil de Criciúma (SC) na madrugada de terça-feira (1º).

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, os dois presos do PCC ajudaram a planejar e executar roubo à agência bancária na cidade catarinense. A ação levou pânico à população local. Ao menos 30 criminosos atacaram um quartel da PM, queimaram veículos, fizeram reféns, dispararam centenas de tiros e fugiram levando o dinheiro roubado. Até agora 11 pessoas foram presas e a quantia levada não foi revelada.

O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), unidade de elite da Polícia Civil paulista, classifica Buda e XT como criminosos de alta periculosidade, assaltantes violentos e integrantes de facção criminosa.

A defesa de Buda afirmou que ele não integra o PCC, jamais participou de algum plano de resgate de presos e nunca mandou matar policiais. O UOL não conseguiu contato com os advogados de XT.

Buda já ficou preso com a liderança máxima do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP). Mas sua ascensão na maior organização criminosa do país começou em 2004, quando comandava o tráfico de drogas no Jaçanã e Jardim Brasil, bairros da zona norte de São Paulo.

Em outubro de 2014, ele já era considerado um "general" da facção. Foi nessa época que ele repassou uma missão para quatro rapazes que queriam ingressar no PCC. A quadrilha, para ser batizada no crime organizado, teria antes de matar um policial militar.

Emboscada no Tremembé, em São Paulo

O PM escolhido como alvo do bando tinha ingressado na corporação havia seis meses. Ele ainda fazia o Curso de Formação de Soldados e não podia voltar armado para casa. O policial percebeu que os criminosos o seguiam no Tremembé, zona norte de SP.

Ele correu e conseguiu se esconder em um supermercado. Os criminosos ainda efetuaram três disparos na direção dele, sem acertá-lo. O PM pediu apoio para os colegas de farda e os quatro criminosos foram presos.

Na delegacia, a quadrilha confessou que queria entrar para o PCC e que a missão passada por Buda era o assassinato de um policial militar. Esse processo continua em andamento no 2º Tribunal do Júri da capital paulista.

O plano de resgatar Marcola, que deu errado

Buda foi acusado ainda de planejar o resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Além dele também seriam alvo da ação os presos Cláudio Barbará, o Barbará; Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden; e Luiz Eduardo de Barros, o Du Bela Vista.

O plano foi descoberto e Buda acabou preso em 25 de novembro de 2014. O "general" do PCC foi condenado por roubo, uso de documento falso, falsidade ideológica e porte ilegal de arma. Segundo a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária, ele foi solto da P-2 de Venceslau em 4 de setembro de 2019.

Apontado como homem do primeiro escalão do PCC, Francisco Aurílio da Silva Melo, o XT, também chamado de "senhor das armas", foi preso por PMs da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) em 4 de março de 2011, em frente ao 69º DP (Teotônio Vilela), zona leste de SP.

Ele carregava um fuzil Colt calibre 5,56 na mochila e, segundo policiais militares, o criminoso e um comparsa também preso iriam matar o então delegado-titular do 69º DP, Ruy Ferraz Fontes, hoje delegado-geral da Polícia Civil. XT foi condenado em primeira instância a sete anos de prisão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.