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Josmar Jozino

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

DHPP analisa se imagens em celular de sargento da PM têm conteúdos racistas

Policial militar Farani Salvador Freitas Rocha Júnior, suspeito de prestar serviços ao PCC - UOL
Policial militar Farani Salvador Freitas Rocha Júnior, suspeito de prestar serviços ao PCC Imagem: UOL
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

10/02/2021 04h00

Imagens encontradas em aplicativo no telefone celular do sargento da PM Farani Salvador Freitas Rocha Junior, 37, preso sob a acusação de envolvimento no assassinato do cabo Wanderley Oliveira de Almeida Júnior, 38, têm conteúdos racistas e homofóbicos, dizem policiais que tiveram acesso ao material e pediram anonimato.

O sargento também é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de ser segurança do maior braço financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital), cujos chefes foram presos pela Polícia Federal na operação Reis do Crime, deflagrada em novembro de 2020.

O telefone celular de Farani foi entregue espontaneamente por ele ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), responsável pelas investigações sobre a morte de Wanderley. A Polícia Científica periciou o aparelho em busca de possíveis provas que possam ajudar a esclarecer o assassinato do cabo, morto a tiros em fevereiro de 2020 em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

O DHPP informou nessa terça-feira (9) ao UOL que vai verificar o conteúdo das imagens e analisar em qual contexto elas estavam armazenadas no celular periciado para saber se configura ou não algum tipo de crime

Segundo policiais, os peritos encontraram em aplicativos figuras de pessoas negras com frases de cunho racista. Os textos citados a seguir foram reproduzidos pela coluna da forma como constavam nas mensagens.

Uma delas mostra um homem no banheiro. A mensagem diz: "Nego só faz merda". Outra foto de um negro tem a seguinte frase: "Nego nem parece Polícia". Outra imagem afirma: "Nego é embaçado". Há também figuras de crianças negras.

Policiais afirmaram que foram encontradas ainda mensagens homofóbicas. Em uma fotografia aparece um homem apontando o dedo para o rosto de outro. Há a seguinte legenda: "Você é gay". Em um desenho que mostra um homem com uma criança no colo está escrito: "Olha filho, um viado".

Dossiê

O advogado Eduardo Kuntz, defensor do sargento Farani, disse que os policiais estão absolutamente tendenciosos em interpretar qualquer tipo de informação de forma contrária ao que deveria ser para favorecer a acusação.

Segundo Kuntz, o sargento Farani entregou o telefone celular espontaneamente ao DHPP e forneceu a senha do aparelho. O advogado acrescentou que a intenção desses policiais, que classificaram de conteúdos racistas e homofóbicos as mensagens encontradas, querem acusar seu cliente e não compreender a verdade.

Investigado por suspeita de ser o mandante da morte de Wanderley, Farani está recolhido no Presídio Militar Romão Gomes. O sargento era lotado no 4º BAEP (Batalhão de Operações Especiais) e também serviu na Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), unidades de elite da Polícia Militar.

Segundo investigações do DHPP, o cabo Wanderley tinha um dossiê contra o sargento e iria denunciá-lo aos seus superiores por envolvimento com traficantes de drogas ligados ao PCC na região de Cangaíba, na zona leste.

Eduardo Kuntz ressaltou que Farani é inocente de todas as acusações, jamais teve qualquer envolvimento com organização criminosa e que tudo isso será provado no processo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL