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Josmar Jozino

Número 1 do PCC nas ruas é sequestrado na Bolívia, diz força de segurança

Marcos Roberto de Almeida, o Tuta - Reprodução
Marcos Roberto de Almeida, o Tuta Imagem: Reprodução
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

03/05/2022 04h00

Fontes das forças de segurança do Brasil afirmam que Marcos Roberto de Almeida, 52, o Tuta, foragido da Justiça e apontado como o número 1 do PCC (Primeiro Comando da Capital) nas ruas, foi sequestrado na Bolívia pelo "tribunal do crime" da própria facção criminosa.

Segundo as fontes da coluna, Tuta estava em poder de sequestradores e era mantido amarrado em cativeiro na Bolívia, onde aguardava o "veredicto".

O "tribunal do crime" do PCC acusa Tuta de ter mandado matar à revelia integrantes da organização criminosa. A reportagem não conseguiu falar com os advogados de Marcos Roberto de Almeida, mas publicará na íntegra a versão dos defensores dele assim que houver uma manifestação.

Uma das pessoas que Tuta é acusado de mandar matar é Nadim Georges Hanna Awad Neto, 42. Ele está desaparecido desde fevereiro do ano passado. Antes de sumir, Nadim era considerado o número 2 do PCC nas ruas. O carro dele foi encontrado sem a chave na Vila Maria, zona norte de São Paulo.

O corpo de Nadim não foi encontrado até hoje, mas ele é dado como morto pelo PCC e por familiares. A mulher dele entrou na Justiça com ação de declaração de morte presumida, informando ter recebido de vizinhos e conhecidos a notícia sobre o falecimento dele.

Tuta também é acusado de ter dado ordens para matar Gilberto Flares Lopes Pontes, 39, o Tobé, responsável pelo setor financeiro do PCC. O corpo dele foi encontrado em 27 de agosto de 2021 em uma vala clandestina em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Tobé era considerado um integrante graduado do PCC. Foi ele quem cuidou da movimentação de R$ 1,2 bilhão da facção criminosa entre janeiro de 2018 e julho de 2019. Junto com ele também foi assassinado Daniel da Costa Lopes, o Professor. Os corpos estavam amarrados e cobertos por uma manta.

De acordo com as forças de segurança, Tuta mandou matar Nadim porque ele era informante da Polícia Militar, mais especificamente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). Tobé foi morto sob a acusação de ter desviado dinheiro da facção criminosa.

Morte decretada

As mesmas fontes ressaltaram à coluna que Tuta ordenou as mortes de Nadim e Tobé. Mas por não ter conseguido provar à liderança do PCC as acusações contra ambos, acabou sequestrado por integrantes do "tribunal do crime" da facção em território boliviano.

Ainda segundo as fontes das forças de segurança, Tuta foi expulso da organização criminosa e será punido com a pena capital. Nos bastidores policiais, a informação é de que o "tribunal do crime" do PCC já o condenou à morte.

Em fevereiro deste ano, a Justiça do Paraguai havia decretado a prisão preventiva de Tuta para fins de extradição. Autoridades brasileiras e paraguaias suspeitavam que Tuta estava foragido na Bolívia, ao lado de outros narcotraficantes ligados ao PCC.

Em São Paulo, o criminoso responde a processos pelas acusações de associação à organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele é egresso do sistema prisional desde 9 de setembro de 2014. O nome de Tuta foi incluído na lista de procurados da Interpol (Polícia Internacional).