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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

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MP de Contas apura verba para influencers divulgarem 'atendimento precoce'

Flávia Viana chorou ao se desculpar após receber dinheiro do Governo Federal para defender o atendimento precoce - Reprodução/Instagram
Flávia Viana chorou ao se desculpar após receber dinheiro do Governo Federal para defender o atendimento precoce Imagem: Reprodução/Instagram
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

05/04/2021 14h39

O Ministério Público de Contas, que atua perante o TCU (Tribunal de Contas da União), quer que o governo federal esclareça qual fonte de recurso usada para pagar a campanha de publicidade feito por meio de influenciadores para divulgar 'atendimento precoce' contra a covid-19.

O pedido foi assinado pelo subprocurador-geral do MP de Contas, Lucas Furtado e precisa ser deferido pelo TCU, órgão de controle externo do governo federal.

Furtado classificou como "vergonhosa e dissimulada" a campanha de publicidade. Ele pediu ainda "adoção das medidas necessárias a apurar a ocorrência de eventual prejuízo ao erário decorrente da realização de despesas para divulgação de propaganda de tratamento precoce contra a covid-19 que, na verdade, é ineficaz contra a doença" .

Além disso, o subprocurador-geral pediu que o TCU determine que o governo federal "suspenda imediatamente a realização de despesas para a divulgação acima referida junto a influenciadores na internet ou em qualquer outro meio de comunicação".

O caso foi revelado pela Agência Pública no mês passado. Cerca de R$ 1,3 milhão dos cofres do governo federal foram usados para pagar ações de marketing sobre a covid-19. O Ministério da Saúde e pela Secretaria de Comunicação (Secom) pagaram o valor que inclui ainda R$ 85,9 mil destinados ao cachê de 19 "famosos" contratados para divulgar estas campanhas em suas redes sociais.

Em janeiro deste ano, a Secom contratou quatro influenciadores, que receberam um montante de R$ 23 mil para falar sobre "atendimento precoce". A verba saiu de um investimento da campanha publicitária denominada "Cuidados Precoces Covid-19" que tinha um total de R$ 19,9 milhões.

A ex-BBB Flávia Viana recebeu, sozinha, R$ 11,5 mil, segundo os documentos obtidos. Depois que o caso veio à tona, Flávia gravou um vídeo se desculpando."Eu não acredito em tratamento precoce dessa doença tão louca que está espalhada por aí", declarou.

No roteiro da ação de publicidade, obtido pela Agência Pública, a Secom orientava a ex-BBB Viana e os influenciadores João Zoli (747 mil seguidores), Jéssika Taynara (309 mil seguidores) e Pam Puertas (151 mil seguidores) a fazer um post no feed e seis stories —todos no Instagram— dizendo para os seguidores que, caso sentissem sintomas da covid, era "importante que você procure imediatamente um médico e solicite um atendimento precoce".