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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Babá diz que presenciou três situações de possível agressão a Henry

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

13/04/2021 09h07

No novo depoimento de Thayná de Oliveira Ferreira, babá do menino Henry Borel, de 4 anos, morto no dia 8 de março, a funcionária relatou à polícia pelo menos três situações ao longo de fevereiro deste ano em que o menino foi para o quarto do casal e saiu com marcas no corpo.

Thayná falou por mais de oito horas na 16ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro ontem e admitiu ter mentido no depoimento anterior a pedido de Monique Medeiros, mãe de Henry. No depoimento, obtido pela coluna, Thayná disse também que, diferente do que foi dito anteriormente, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr Jairinho, e Monique brigavam com frequência.

A babá disse que, além do episódio ocorrido em 12 de fevereiro, o primeiro episódio que ela presenciou foi no dia 2 de fevereiro quando Monique estava no futevôlei. Nesse caso, anterior, Jairinho também chegou em casa antes do previsto. O vereador chamou o menino de mimado e pediu que Henry fosse com ele para o quarto do casal. Segundo a babá, o menino e o padrasto ficaram cerca de 30 minutos sozinhos e de portas fechadas.

Quando os dois saíram, ela disse que foi até Henry e perguntou o que tinha ocorrido. "Que a declarante foi até Henry e perguntou o que havia acontecido, especificamente o que Jairinho havia falado, ocasião em que Henry respondeu que: "tinha esquecido, que estava com soninho". Depois disso, Henry foi para escola e, quando voltou, levou o menino para a brinquedoteca, mas ele não quis brincar com as outras crianças.

"Que Henry relatou que estava com dor no joelho; Que a declarante esclarece que já tinha ocorrido situações em que Henry também não queria brincar com as crianças da brinquedoteca, porém Henry não mentia sobre a razão de não querer fazê-lo, apenas falava que não queria brincar", afirmou Thayná para a polícia.

Já no terceiro episódio, a babá disse que não recordava a data com precisão, mas acredita que ocorreu na última semana de fevereiro deste ano. Thayná disse que outra vez o vereador chegou em casa antes do horário usual e Monique não estava em casa. Só estavam Henry e ela. Mais uma vez, o parlamentar chamou o menino para ir sozinho com ele ao quarto do casal.

"Que, cerca de três minutos depois, a porta abriu e a declarante viu Henry; Que, perguntada se ficou esperando a porta se abrir, a declarante respondeu que sim; Que a declarante perguntou imediatamente o que havia ocorrido a Henry, mas ele relutou em responder num primeiro momento; Que a declarante insistiu em perguntar, até que Henry disse que havia caído da cama, mas a declarante pode perceber que Henry estava visivelmente intimidado", afirmou Thayná, que contou ter perguntado a Jairinho o que ocorreu e ele também disse que Henry caiu da cama.

Thayná disse então que levou Henry para a cozinha para comer um bolo. "Que, enquanto Henry comia bolo, a declarante viu que Henry estava com uma marca roxa no braço e, novamente, perguntou o que tinha acontecido; Que Henry disse, novamente, que havia caído da cama", afirmou a babá.

Intimidação após agressão

A babá também relatou à polícia que depois que contou a Monique sobre as agressões de Jairinho ocorridas em 12 de fevereiro, episódio descoberto pela polícia devido aos prints de conversas entre Monique e ela, Jairinho teria intimidado o menino.

Depois que Henry contou a ela ter levado uma rasteira ou "banda", Thayná disse que notou um roxo em um dos joelhos de Henry e ele relatou dor na cabeça. Em seguida, Monique pediu a babá que ligasse por vídeo para ela e então Henry contou à mãe o que tinha ocorrido.

"Que Henry por chamada de vídeo, relatou à mãe as agressões sofridas, exatamente como havia feito à declarante, pedindo que Monique chegasse logo; Que Monique pede então que a declarante apague as mensagens de seu celular, para caso Jairinho quisesse pegar o aparelho; Que, naquele momento, a declarante apagou pontualmente somente algumas mensagens, mas não a conversa inteira", contou Thayná, aos policiais.

Alguns minutos depois, porém, Jairinho apareceu e começou a falar exaltado para Henry. "Você gosta de ver sua mãe triste com o tio?" e, ainda, "Você mentiu para a sua mãe?". Thayná disse que Henry estava em seu colo e o vereador passou a perguntar se o menino tinha ligado para a mãe e o que tinham conversado.

"Thayná disse que pediu para que Jairinho se acalmasse, momento em que o mesmo começou a tentar tirar Henry do colo da declarante, estendendo as mãos e o chamando insistentemente, mas o menino não quis ir, se encolhendo no colo da declarante", contou ela. Depois, o menino admitiu que tinha falado para a mãe sobre as agressões.

"Que, em seguida, a declarante sentou-se ao chão com Henry para acalmá-lo; Que Jairinho ficou em pé; Que a declarante incentivou Henry a dizer o que havia ocorrido, sendo que, neste momento, na presença de Jairinho, Henry confirmou que havia ligado para a mãe e dito que Jairinho havia lhe agredido; Que Jairinho, então, começou a falar a Henry que ele não poderia mentir para a mãe dele, que ele 'ficava triste'".