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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Após votação do relatório, senadores vão se articular por CPI da rachadinha

Andrea Valle, ex-cunhada de Bolsonaro - Reprodução/Instagram
Andrea Valle, ex-cunhada de Bolsonaro Imagem: Reprodução/Instagram
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

22/10/2021 11h49

Os senadores que atuam no chamado G7 da CPI da Pandemia já discutem os próximos passos depois da aprovação do relatório da comissão que apurou os problemas e as omissões do governo federal no combate à covid-19 que já deixou mais de 600 mil mortos no Brasil. A coluna apurou que, logo após a votação, os senadores vão se articular para coletar as assinaturas necessárias para a instalação de uma nova CPI, desta vez, para apurar os indícios de entrega obrigatória de salários de ex-assessores no antigo gabinete de Jair Bolsonaro, no período em que ele foi deputado federal, a chamada rachadinha.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou ainda em julho um pedido para a instalação de uma CPI para apurar os fatos revelados no podcast A vida secreta de Jair e em reportagens da coluna. Na ocasião, foram reveladas gravações de Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro, que indicam um envolvimento direto de Bolsonaro no esquema ilegal.

Em julho, ao protocolar o pedido de CPI, Vieira disse que "os fatos são gravíssimos e exigem apuração. O Senado tem legitimidade e estatura para fazer essa investigação, mesmo em um momento tão difícil da nossa história".

Ex-cunhado demitido

Em uma das gravações, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle afirma que Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele se recusou a devolver a maior parte do salário como assessor.

"O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: 'Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo'.

Em outra gravação, a ex-cunhada do presidente diz que um coronel da reserva do Exército, ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), atuou no recolhimento de salários dela , no período em que constava como assessora do antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Procurado pela coluna, na ocasião, o advogado Frederick Wassef afirmou que o presidente Jair Bolsonaro jamais cometeu tais ilegalidades.

Renan queria ouvir ex-cunhada

Ainda em julho, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) queria solicitar a convocação de Andrea, mas não conseguiu consenso no grupo do G7. A CPI da Pandemia chegou a aprovar a convocação de Ana Cristina Valle, irmã de Andrea e segunda mulher do presidente, para falar sobre sua relação com o lobista Marconny Faria que atuou pela Precisa Medicamentos, empresa investigada na aquisicão das vacinas Covaxin.

Ana Cristina e o lobista trocaram algumas mensagens, descobertas pelo MPF do Pará, no ano passado, e que indicavam que ela tentou ajudá-lo a obter nomeações para cargos no governo federal. No entanto, a convocação dela nunca foi efetivada porque também faltou consenso no G7. Ana Cristina só foi citada uma vez no relatório de Renan Calheiros, o relator da CPI, e foi justamente por sua relação de proximidade com Marconny. Ela, porém, não consta na lista de indiciados, apenas o lobista foi incluído junto com os indiciados do caso da Covaxin.