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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com planos no PL, Fraga diz que ainda tem o coração 'magoado' por Bolsonaro

Alberto Fraga (DEM-DF) - Alberto Fraga/Divulgação
Alberto Fraga (DEM-DF) Imagem: Alberto Fraga/Divulgação
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

30/11/2021 04h00

Amigo de décadas do presidente Jair Bolsonaro, o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) segue distante, com o "coração magoado" e sem falar com o ex-colega da Câmara dos Deputados. Mas, a depender dos desdobramentos da sigla criada a partir da fusão de DEM e PSL, o União Brasil, Fraga pode também ir parar no PL (Partido Liberal). Isso, porém, não faz com que Bolsonaro tenha garantido o voto do amigo.

Em uma conversa com a coluna, Fraga disse que ele e Bolsonaro continuam distantes desde a morte da mulher de Fraga, vítima da covid-19 em maio deste ano. "Eu me afastei porque, pelo grau de amizade que a gente tinha, eu achei que ele devia ter sido mais amigo num momento de dor que eu passei", desabafou Fraga, ao contar que os dois continuam sem se falar. "Ele tem mandado recados, mas meu coração ainda está muito magoado", completou.

Essa mágoa também está fazendo Fraga refletir sobre as possibilidades de apoio e voto na eleição presidencial de 2022. Questionado pela coluna se vai votar em outro candidato que não seja Bolsonaro no 1º turno, Fraga afirmou que "ia pensar". "Tenho realmente algumas decepções", admitiu. A coluna perguntou se outro candidato poderia ganhar seu voto e o ex-deputado afirmou: "Pode ser". Fraga só admitiu votar em Bolsonaro "se for contra o Lula".

Fraga contou que vai disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022 e que só ficará no União Brasil se permanecer na presidência do partido no DF. O futuro de Fraga será definido quando o União Brasil estiver formalizado e os presidentes regionais definidos. Mas ele soa como alguém de malas prontas.

"Antes do Bolsonaro, dessa ida para o PL, eu quero que fique bem claro, inclusive, conversei com o Valdemar (Costa Neto) que, se eu não for presidente do União Brasil, eu devo ir para o PL, mas já falei isso antes do Bolsonaro. Faz tempo. Para que as pessoas não pensem: ah tá indo atrás. Não", contou o ex-deputado.

"Sem querer desmerecer ninguém, com a experiência política que eu tenho, passar a presidência para alguém que não tem maturidade política, eu acho isso no mínimo estranho. A minha decisão está tomada e, se eu realmente não servir para a presidência dessa nova legenda, eu vou atrás de quem valoriza quem tem voto. E eu sei que tenho um pouquinho voto. Vou ser candidato a deputado federal", afirmou Fraga.

Ele se disse surpreso com a opção de Bolsonaro pelo PL, mas disse acreditar que a opção deve ter sido feita por uma tentativa de aproximação entre o ex-presidente Lula e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, de quem o petista já foi aliado no passado.