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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

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Advogada de Flávio Bolsonaro vai defender delegada presa com R$ 1,7 milhão

A delegada licencida da Polícia Civil do Rio de Janeiro Adriana Belém - Reprodução/TV Brasil
A delegada licencida da Polícia Civil do Rio de Janeiro Adriana Belém Imagem: Reprodução/TV Brasil
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

10/05/2022 15h07Atualizada em 10/05/2022 19h19

A advogada Luciana Pires assumiu na tarde desta terça-feira a defesa da delegada de polícia licenciada Adriana Belém, alvo na manhã de hoje de mandado de apreensão que encontrou em sua casa ao menos R$ 1,7 milhão em espécie. Pires representa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso da rachadinha em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Junto com Pires, a delegada também será representada pela advogada Sandra Almeida, que defende o governador do Rio, Cláudio Castro, em investigações sobre a Fundação Leão XIII.

Adriana foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio) nesta terça e, durante a operação batizada de "Calígula", foi localizado R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo dentro de sua casa. A operação mira uma rede de jogos de azar liderada pelo contraventor Rogério de Andrade e que tem como integrante Ronnie Lessa, acusado pela morte da vereadora Marielle Franco.

Com isso, ela foi presa. As advogadas de Adriana informaram à coluna que a origem do dinheiro será esclarecida nos autos e que não há necessidade da prisão. Por isso, as defensoras vão entrar com um pedido de habeas corpus no tribunal.

A delegada deixou a chefia da delegacia de polícia da Barra da Tijuca em 2020 após o chefe do Setor de Investigação da unidade, seu braço direito, Jorge Camilo Alves, ser preso na Operação Intocáveis 2.

Na ocasião, ele foi um dos 33 detidos na operação contra a milícia de Rio das Pedras, na zona oeste do Rio. Alves foi flagrado em conversas telefônicas com Ronnie Lessa, ex-policial militar acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Após a prisão, Adriana entregou o cargo de delegada a fim de preservar as investigações conduzidas na delegacia da Barra da Tijuca. Dois anos após esse episódio, Adriana é alvo de mandado de busca e apreensão.

Com salário de R$ 10 mil brutos, Belém ocupava até hoje um cargo de assessora na Secretaria Municipal de Esportes do Rio. Mas como o UOL revelou ela será exonerada. Belém está licenciada da Polícia Civil. Mesmo assim, recebe um salário de R$ 27 mil líquidos da corporação.