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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro anuncia que Braga Netto deve ser vice sem aviso à ala política

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

27/06/2022 13h04

O anúncio do presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), na noite de domingo (26), de que o general da reserva Walter Braga Netto (PL) deve ser o vice em sua chapa que disputará a reeleição nas eleições de 2022 não foi articulado antes com os integrantes da ala política, especialmente do centrão. Bolsonaro fez o anúncio no programa 4x4, exibido no YouTube.

"Pretendo anunciar nos próximos dias o general Braga Netto como vice", afirmou Bolsonaro, na entrevista. Até o momento, porém, não há uma programação fechada sobre como esse anúncio deve ocorrer. A fala do presidente não é uma surpresa total, mas não foi combinada e tenta também mudar o foco do noticiário sobre o escândalo do MEC (Ministério da Educação).

Desde fevereiro, a escolha de Braga Netto já era dada como certa nos bastidores. No entanto, há alguns dias, integrantes do PP, PL e Republicanos pressionavam para que Bolsonaro optasse por Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. A ideia era tentar melhorar os números de Bolsonaro junto às eleitoras e angariar votos femininos.

Bolsonaro deve manter a escolha por Braga Netto influenciado pela preocupação com o poder dado ao centrão. Na visão de Bolsonaro, a escolha de um vice que integrasse os partidos do centrão fazia com que o presidente temesse sofrer uma tentativa de golpe seis meses depois em um eventual novo mandato.

O centrão ainda tentava emplacar Tereza Cristina porque as últimas pesquisas de intenção de voto mostraram a possibilidade de o ex-presidente Lula vencer, inclusive, no primeiro turno e evidenciaram o problema junto ao eleitorado feminino. Na última pesquisa Datafolha, da semana passada, Lula teve 47% das intenções de voto, e Bolsonaro, 28%. Entre as mulheres, o petista vence de 49% a 21%.

O último Datafolha e as demais pesquisas que saíram nos últimos dias deixaram os bastidores da campanha de Bolsonaro em alerta. A ala política avalia que o quadro é muito difícil e está discutindo medidas para tentar melhorar os números. Um dos pontos levantados é a agenda do presidente.

Também existem conflitos dentro da família Bolsonaro. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) critica as ações da ala política e as inserções na televisão e defende que o presidente continue falando para sua base junto às redes sociais. Já a ala política, que conta com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), coordenador da campanha, diz acreditar que seja necessário ampliar o discurso e a aproximação de Bolsonaro com diferentes faixas do eleitorado.