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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

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Nunes Marques pode romper com Bolsonaro devido a escolhas para STJ

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

31/07/2022 18h29

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O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), informou a interlocutores do presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) nos últimos dias que poderá romper com o governo se o nome do desembargador Ney Bello, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) for confirmado em uma das duas vagas disponíveis para ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Os favoritos para nomeação de Bolsonaro são os desembargadores Messod Azulay Neto, do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) e Ney Bello. No entanto, nas últimas horas cresceram as chances do desembargador Paulo Sérgio Domingues já que Nunes Marques teria feito uma espécie de veto ao nome de Ney Bello. Procurado pela coluna, o ministro Nunes Marques disse que "nunca houve nenhuma pressão".

Ney Bello possui apoio do ministro Gilmar Mendes, do STF, para a indicação, além de contar com sinal positivo de vários interlocutores do presidente. Entre eles, o advogado Frederick Wassef, que representa a família Bolsonaro em diferentes casos.

A crise começou ainda na quinta-feira (28) quando aliados do presidente informaram Nunes Marques que Bolsonaro faria as indicações. Desde então, o ministro deixou claro que era contrário. A coluna apurou que vários interlocutores do presidente tentaram convencer Nunes Marques nos últimos dias a aceitar a nomeação do antigo colega do TRF-1. No entanto, o ministro do STF não está nem recebendo os aliados de Bolsonaro.

A demora na indicação das vagas já dura meses devido à resistência do ministro Nunes Marques na indicação do desembargador Ney Bello. Bolsonaro gostaria de fazer a nomeação nos próximos dias.

As diferenças entre Nunes Marques e Ney Bello teriam começado em 2020, na época da indicação do ministro ao STF. Depois disso, os dois nunca mais tiveram proximidade.

Messod Azulay Neto é o atual presidente do TRF-2. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, chegou ao TRF-2 em 2005. Paulo Sérgio Domingues é formado pela Universidade de São Paulo e se tornou desembargador do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) em 2014. Nos bastidores, aponta-se que Domingues possui apoio do ministro Dias Toffoli, do STF, para obter a vaga do STJ.