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Kennedy Alencar

"Realista", Trump admite que pandemia vai piorar antes de melhorar nos EUA

Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington - JONATHAN ERNST
Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington Imagem: JONATHAN ERNST
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

21/07/2020 19h07Atualizada em 22/07/2020 00h29

Depois de quase três meses tentando ignorar o crescimento da pandemia, o presidente Donald Trump voltou a assumir hoje um tom mais realista ao falar do combate ao coronavírus. No entanto, continuou a dourar a pílula sobre o seu desempenho no combate à covid-19.

Trump admitiu que "provavelmente" a situação nos EUA "vai piorar antes de ficar melhor", mas voltou a dizer que em algum momento "o vírus irá desaparecer".

Pela primeira vez, foi claro ao afirmar que máscaras eram importantes e recomendadas pelos médicos, mas tentou justificar não ter coberto o rosto num evento público ontem. Ele disse que manteve distanciamento social, o que não é fato, como mostraram as imagens do ato de arrecadação de fundos eleitorais do qual participou em Washington.

O presidente americano alternou momentos em que tentou mostrar liderança, incentivando o uso de máscara, com outros nos quais mentiu, como dizer que mantinha coordenação com os governadores, que os EUA estavam melhores do que outros países nos combate à covid-19 e que a testagem americana era um sucesso.

Simplesmente, não há uma estratégia nacional. Tampouco os testes estão sendo feitos em velocidade efetiva para ajudar na contenção do vírus. Os EUA têm os maiores números de casos e mortes na pandemia.

O presidente procurou mostrar otimismo, afirmando que a vacina deverá ficar pronta antes do esperado e que hoje os EUA têm estrutura melhor para atender doentes. Há progressos em relação à vacina, mas a estrutura hospitalar está perto do colapso em alguns estados, como Flórida, Texas e Arizona.

Trump repetiu o mantra de culpar a China por ter "deixado o vírus escapar". Essa é uma estratégia para tentar minimizar o dano eleitoral pela forma como tem conduzido a resposta ao coronavírus.

Desde abril, Trump não fazia um pronunciamento seguido de entrevista na Casa Branca. Naquele mês, ele chegou a sugerir que aplicar desinfetante na corrente sanguínea poderia ajudar a combater o vírus.

Hoje, o figurino mais responsável do presidente americano contrastou com entrevistas de TV recentes nas quais minimizou a pandemia e manteve a tradicional atitude negacionista em relação ao crescimento de casos em estados do oeste e do sul do país. A Casa Branca espera que esse comportamento mais realista possa reaproximar eleitores moderados do presidente.

No entanto, Trump não apresentou um plano nacional para enfrentar o agravamento da pandemia. Nesse quesito, ele continua devendo. Médicos da força-tarefa da Casa Branca, como o imunologista Anthony Fauci, não participaram da entrevista. No ano eleitoral, o palco era só do presidente.