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Em funeral de Lewis, Obama compara Trump a governador racista dos anos 60

Barack Obama e John Lewis - Reprodução/Instagram
Barack Obama e John Lewis Imagem: Reprodução/Instagram
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

30/07/2020 15h58

O ex-presidente Barack Obama comparou Donald Trump a George Wallace, governador racista do Alabama e candidato a presidente em 1968 pelo então Partido Independente Americano. Obama fez o principal discurso no funeral de John Lewis, um dos líderes do movimento pelos direitos civis dos anos 60 e congressista por mais de 30 anos.

Símbolo do racismo americano, Wallace era o governador do Alabama que reprimiu com brutalidade o movimento negro nos anos 60. Wallace abandonou o Partido Democrata para tentar se eleger presidente em 1968, mas fracassou.

Obama disse que Wallace "talvez já tenha ido embora", mas agora "o país testemunhava o governo federal usar agentes e gás lacrimogêneo para reprimir manifestantes que protestam pacificamente". Wallace morreu em 1998 aos 79 anos.

O ex-presidente democrata criticou as tentativas quase diárias de Trump de tirar credibilidade do voto pelo correio e atacou o fechamento de postos de votação em locais mais acessíveis a eleitores afro-americanos.

O discurso de Obama fez as honras a John Lewis, que morreu no último dia 17 aos 80 anos. O ex-presidente disse que muitos americanos, inclusive ele, tinham uma dívida com o congressista, um símbolo da luta pelos direitos civis. "Os Estados Unidos foram construídos por muitos John Lewis."

Obama afirmou que era preciso ser vigilante, como dizia Lewis, para manter conquistas civilizatórias. "Este é um país em constante trabalho de construção. (...) Está em nossas mãos o poder de refazer este país", numa crítica ao retrocesso social e político dos últimos anos.

Obama passou a fazer discursos mais duros contra Trump, contrariando a tradição de ex-presidentes evitarem críticas ao comandante de plantão. Mas esta é uma campanha eleitoral inusual. Tem uma pandemia que se agrava. Há protestos contra a violência policial e o racismo estrutural. A participação de Obama na campanha de Joe Biden, que foi seu vice, ajuda a mobilizar eleitores a votar. Nos EUA, o voto é facultativo, o que faz da capacidade de mobilização um decisivo fator eleitoral.

As eleições acontecerão em 3 de novembro. Hoje, as pesquisas apontam vitória de Biden no voto nacional e no Colégio Eleitoral.

Até republicanos rejeitam ideia de Trump para adiar eleições

Com a notícia do tombo econômico no segundo trimestre, Trump sugeriu postergar o pleito, mas a sua ideia foi rejeitada até por republicanos. Não há a menor chance de adiamento, até porque os EUA permitem o voto pelo correio e também o comparecimento antecipado a uma seção eleitoral. Essas modalidades de voto devem crescer na pandemia e ajudar a evitar aglomerações na data da eleição.

Outro motivo: adiar eleições é ato típico de república de bananas. Apesar de Trump se esforçar para degradar a Presidência americana, as instituições ainda têm capacidade de resistir aos seus arroubos autoritários.

Além de Obama, os ex-presidentes Bill Clinton e George W. Bush falaram no funeral de Lewis, numa atitude de demonstração de união nacional que contrasta com o modo como Trump tenta dividir o país a fim de se reeleger.