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Kennedy Alencar

Em aceno a supremacistas, Trump defende menor miliciano que matou 2 pessoas

Kyle Rittenhouse, 17 anos, assassinou dois manifestantes durante um protesto do Black Lives Matter em Kenosha, Wisconsin - Reprodução
Kyle Rittenhouse, 17 anos, assassinou dois manifestantes durante um protesto do Black Lives Matter em Kenosha, Wisconsin Imagem: Reprodução
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

31/08/2020 20h48

De modo indireto e algo dissimulado, o presidente Donald Trump defendeu nesta segunda-feira o adolescente Kyle Rittenhouse, que matou dois homens e feriu um terceiro na madrugada da quarta passada em Kenosha, no Wisconsin, cidade que o republicano visitará amanhã.

Indagado por uma repórter se condenava o ato de vigilantes como Rittenhouse, Trump respondeu: "Aquela foi uma situação interessante. Você viu a mesma imagem que eu. Ele [Rittenhouse] tentava se livrar deles [os dois homens que foram mortos], eu penso, é o que me parece, que ele caiu e os outros o atacaram muito violentamente. É algo que estamos analisando agora, está sob investigação. Penso que ele teria um problema muito grande, provavelmente seria morto".

Ao evitar condenar a atitude do adolescente que carregava um fuzil semiautomático e integrava uma milícia que vigiava estabelecimentos comerciais de Kenosha, Trump envia um sinal perigoso que estimula ações ilegais de segurança pública. O presidente faz acenos para fascistas e supremacistas brancos. A defesa do jovem, de 17 anos, alega que ele agiu em legítima defesa. A polícia o acusa de homicídio e agressão.

Ao mesmo tempo, Trump gera controvérsia ao distorcer o que aconteceu, o assassinato de dois homens e a agressão a um terceiro por alguém que não deveria portar uma arma na rua. Ao criar confusão, ele tira a pandemia do centro do debate eleitoral e ainda pinta os democratas como contrários à polícia.

O governador de Wisconsin, Tony Evers, pediu que Trump desistisse de ir a Kenoscha nesta terça-feira para evitar o acirramento dos ânimos na cidade. Mas Trump confirmou a viagem.

Interessa ao presidente alimentar tensões no país, criando um ambiente no qual posa como um governante da "lei e ordem" e retrata o candidato democrata Joe Biden como "um socialista" refém da "esquerda radical". O republicano mentiu novamente ao dizer que Biden diminuirá as verbas da polícia. A narrativa de Trump é que a segurança pública vai piorar nas grandes cidades com uma vitória democrata nas eleições de 3 de novembro.

Basicamente, Trump usa a estratégia de amedrontar os eleitores, que deu certo em 2016 contra Hillary Clinton. Faz jogo baixo, mente e alimenta grupos fascistas. A Convenção Nacional República, que aconteceu na semana passada, teve ingredientes típicos do fascismo: defesa de um nacionalismo exagerado e superior a outros países, culto pessoal a um líder político e demonização dos adversários com mentiras e distorções da realidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.