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Kennedy Alencar

Biden condena violência e ataca Trump: 'Ele amedronta EUA para se reeleger'

Joe Biden lidera as pesquisas, mas ainda faltam 10 semanas para a eleição e o cenário pode mudar - Getty Images
Joe Biden lidera as pesquisas, mas ainda faltam 10 semanas para a eleição e o cenário pode mudar Imagem: Getty Images
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

31/08/2020 15h36

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, disse que o presidente Donald Trump tenta "amedrontar" os americanos porque ele "falhou" em proteger a população contra a pandemia de coronavírus, a recessão econômica e a violência nas maiores cidades do país.

"Você realmente se sente seguro sob Trump?", perguntou Biden algumas vezes. Ele responsabilizou o presidente pelo número de mortes por covid-19 nos EUA (mais de 183 mil), pelo crescimento da violência nas ruas e pelo desemprego recorde. Trump, nas palavras de Biden, "faz as coisas piorarem, não melhorarem".

O democrata condenou protestos violentos, numa resposta à estratégia do presidente de priorizar o debate sobre segurança pública em vez da pandemia de coronavírus. "Violência não trará mudança, só destruição. (...) Quero ser bem claro sobre isso. Tumultuar não é protestar. Saquear não é protestar. Incendiar [estabelecimentos comerciais e prédios públicos] não é protestar', afirmou.

Biden entrou no debate para o qual Trump o chamava, o da segurança pública. Mas o fez de modo inteligente, procurando deixar claro que o presidente é quem torna o país mais violento ao apoiar supremacistas brancos e milícias. "Alguém acredita que haverá menos violência nos Estados Unidos se Trump for reeleito?", indagou. "Ele nos divide em vez de nos unir."

Ex-vice-presidente durante o governo de Barack Obama, Biden disse que Trump tem sido um mandatário "tóxico" para os EUA e que a eleição seria uma oportunidade para o país se livrar dessa "toxina". "Quero uma América segura, a salvo da covid, a salvo de crime e saques, a salvo de violência por motivos raciais, a salvo de maus policiais. Deixe-me ser cristalino, a salvo de mais quatro anos de Donald Trump."

Biden ironizou Trump tê-lo acusado de ser um "socialista", um refém da "esquerda radical". Perguntou aos americanos se eles "realmente" acreditavam nessa descrição.

O democrata afirmou que Trump é o presidente mais subserviente a um líder russo, criticando suposta falta de ação do republicano contra Vladimir Putin. Há relatos do serviço de inteligência dos EUA dando conta de que a Rússia prometeu recompensa ao Taleban pela morte de soldados americanos. "Nem as tropas americanas podem se sentir seguras sob Trump."

O candidato democrata mudou a estratégia de fazer campanha parado na sua casa, em Wilmington, no estado de Delaware. Viajou nesta segunda-feira a Pittsburg, na Pensilvânia, um dos estados decisivos para vencer no Colégio Eleitoral e no qual Trump ganhou da democrata Hillary Clinton em 2016.

Biden parece ter entendido que precisa fazer alguns atos de campanha, ainda que num formato engessado pelas regras sanitárias da pandemia. O discurso desta segunda-feira foi uma resposta à fala de Trump na Casa Branca, onde o republicano fez, na prática, um comício na quinta-feira passada no qual recorreu à tática do medo, que deu certo em 2016. O republicano havia dito que ninguém estaria seguro nos EUA de Biden. O democrata devolveu bem o golpe.