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Kennedy Alencar

Trump e Kim Jong-un tiveram caso de amor geopolítico, revelam cartas

30.jun.2019 - "Estar com você hoje foi realmente incrível", disse Donald Trump ao líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, após encontro em zona desmilitarizada que separa as duas Coreias - Kevin Lamarque/Reuters
30.jun.2019 - "Estar com você hoje foi realmente incrível", disse Donald Trump ao líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, após encontro em zona desmilitarizada que separa as duas Coreias Imagem: Kevin Lamarque/Reuters
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

11/09/2020 04h02

Barack Obama e Joe Biden tiveram o seu "bromance", uma contração em inglês das palavras irmão e romance. Nos oito anos de Obama na Casa Branca, ele e o vice Biden ficaram muito amigos e viviam fazendo brincadeiras sobre a relação de amizade que construíram.

Donald Trump e Kim Jong-um também tiveram os seus momentos, um caso de amor geopolítico, digamos assim. "Acredito que a amizade profunda e especial entre nós funcionará como uma força mágica", escreveu o ditador da Coreia do Norte, numa das 27 cartas que trocou com o atual presidente americano.

Depois de um início de relação tumultuado e agressivo, no qual Trump apelidou o ditador de "Homem Foguete", numa alusão aos testes com mísseis balísticos da Coreia do Norte, houve uma completa mudança na forma como os dois passaram a se tratar.

Segundo o novo livro do jornalista Bob Woodward, "Fúria", o próprio Trump descreveu a correspondência diplomática que trocou com Kim Jong-un como "cartas de amor". Uma reportagem da CNN trouxe nesta quinta-feira detalhes da correspondência diplomática.

Sempre se referindo a Trump como "Vossa Excelência", Kim Jong-un adota um tom muito pessoal e algo íntimo. Depois de terem se encontrado em Cingapura, o coreano escreveu para Trump no Natal de 2018: "Até agora não posso esquecer aquele momento da História quando apertei firmemente a mão de Vossa Excelência naquele lugar sagrado e lindo enquanto o mundo todo assistia com grande interesse e esperança de reviver a honra daquele dia".

Kim Jong-un ressaltou que outro encontro entre os dois líderes equivaleria "a uma cena de um filme de fantasia".

Encontros incríveis

Na resposta, o presidente americano afirmou: "Como você, não tenho dúvidas de que um grande resultado será alcançando entre nossos dois países. Os dois únicos líderes que podem fazer isso somos eu e você".

Trump e Kim Jong-un se encontraram três vezes: em Cingapura, no Vietnã e na zona desmilitarizada nas fronteiras das Coreias do Norte e do Sul.

Após esse terceiro encontro, em 30 de junho de 2019, Trump escreveu: "Estar com você hoje foi realmente incrível". Dois dias depois, enviaria 22 fotos da reunião com mais uma mensagem. "Essas imagens são ótimas lembranças para mim e capturam a amizade única que você e eu desenvolvemos."

Mas houve momentos de baixa no relacionamento. Um mês depois, como "um amigo ou amante desapontado", escreveu Woodward no livro, Kim Jong-un fez uma queixa a Trump sobre exercícios militares conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul.

"Estou claramente ofendido e não quero esconder esse sentimento de você. Estou realmente muito ofendido".

Discutindo a relação

Mas, numa jogada de sedução diplomática, o coreano soube dar uma no cravo e outra na ferradura, fazendo uma típica DR (discussão da relação): "Estou imensamente orgulhoso e honrado por termos um relacionamento para o qual posso compartilhar pensamentos tão sinceros com você".

Nos últimos tempos, a relação anda meio morna. Trump foi atropelado pela pandemia e só pensa na reeleição. Mas ele teve a preocupação de pedir a Woodward que preservasse o amigo no livro.

Em janeiro deste ano, quando soube que Woodward obtivera cartas trocadas com o coreano, Trump fez um pedido ao jornalista. "Você não pode zombar de Kim. Não quero uma porra de guerra nuclear porque você zombou dele."

Woodward relata que analistas da CIA, agência de inteligência americana, "ficaram maravilhados com a habilidade" de quem escreveu as cartas de Kim porque tinham "a mistura exata de bajulação enquanto apelavam para o senso de grandiosidade de Trump para ser o centro das atenções na história".

Em resumo, a lábia e a prosa do "Homem Foguete" não podem ser menosprezadas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.