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Kennedy Alencar

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Aproximação FHC-Lula impacta 2022, Ciro é anti-PT e bolsolavajatismo murcha

Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

21/05/2021 11h10

Na semana que passou, o encontro pessoal e a troca pública de acenos entre os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso foram movimentos políticos que terão impacto nas eleições de 2022. FHC admitiu que votaria em Lula num eventual segundo turno contra o presidente Jair Bolsonaro nas eleições do ano que vem.

A fala do tucano é importante porque ele anulou o voto em 2018, o que, na época, significava ajudar Bolsonaro em detrimento do então candidato do PT, Fernando Haddad. É uma mudança de peso. Os dois ex-presidentes também se encontraram no apartamento de Nelson Jobim, ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-ministro nos governos Lula e FHC.

Lula agradeceu as declarações de FHC, dadas em duas entrevistas recentes. O petista afirmou que os dois tiveram disputas civilizadas no passado. O petista e o tucano gostam pessoalmente um do outro, mas travaram contendas eleitorais duras direta e indiretamente.

Os gestos dos dois ex-presidentes podem permitir o retorno da antiga polarização entre PT e PSDB, que se enfrentaram como principais forças políticas nas eleições presidenciais de 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014.

Numa eventual volta do PT ao poder, o PSDB poderia se reapresentar como principal polo de oposição, como aconteceu no passado recente do país.

O movimento de FHC também enfraquece a eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, João Doria. Há muita água para passar debaixo da ponte até outubro do ano que vem, mas pode ser mais interessante para Doria tentar a reeleição em São Paulo.

Anti-Lula

Outro movimento importante foi o ex-ministro Ciro Comes (PDT) preferir se apresentar como anti-Lula e não priorizar a disputa contra Bolsonaro. Ciro pensa em tomar o lugar do atual presidente no segundo turno e derrotar o petista. As duas tarefas são hercúleas.

Se der certo, a estratégia será vista como genial. Se der errado, será entendida como a vitória do ressentimento sobre a racionalidade.

Efeito Orloff

Com o avanço da CPI da Pandemia, fica cada vez mais claro que Bolsonaro não terá em 2022 as condições favoráveis de 2018, a exemplo do que aconteceu com o então presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado. Em 2020, não se repetiram nos EUA os fatores que favoreceram a eleição de Trump em 2016.

Algo parecido deve acontecer com o atual presidente. O "bolsolavajatismo" está enfraquecido. O "bolsolavajatismo" é a junção dos interesses da extrema-direita com a Operação Lava Jato, que corrompeu a lei processual penal. As revelações dos abusos da Lava Jato murcharam a força política de figuras como o ex-juiz Sergio Moro.

Na economia, o ministro Paulo Guedes não apresentou medidas efetivas para a economia voltar a crescer. A pandemia também contribui para o enfraquecimento de Bolsonaro, a exemplo do que ocorreu com Trump, que perdeu a reeleição para Joe Biden (Democrata) em novembro do ano passado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL