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Kennedy Alencar

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Prisão de Jefferson é necessária para tentar conter golpismo de Bolsonaro

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Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

13/08/2021 13h44Atualizada em 17/08/2021 20h27

Nas redes sociais, houve aplausos e vaias à prisão preventiva do presidente do PTB, Roberto Jefferson. Contundente, a medida foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito sobre milícias digitais que tramita no Supremo Tribunal Federal.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse ver com preocupação detenções em decorrência de opiniões políticas, apesar de ressaltar que discordava de tudo o que o petebista dizia nas redes sociais. Paes o chamou de "louco".

O advogado Augusto de Arruda Botelho, uma voz democrata e lúcida nas redes sociais, enxergou falta de fundamentação na ordem de prisão dada por Alexandre de Moraes. Mas disse haver motivos para justificar a prisão preventiva do presidente do PTB devido ao conjunto da obra de ataques à democracia.

Defensores do fechamento do STF e da reedição de um ato da ditadura militar de 1964, milicianos digitais e seus líderes, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro, classificaram a prisão como ditatorial. Críticos de Bolsonaro evocaram o bordão presidencial "grande dia".

Ora, Roberto Jefferson não emitiu opiniões conservadoras ou amalucadas, algo tolerável na democracia. O presidente do PTB pregou nas redes sociais e em discursos públicos o fim do regime democrático no Brasil.

A democracia não pode tolerar ataques que objetivem o seu fim. Permitir comportamentos assim é como as democracias morrem.

Não é democrático ter a opinião de que ditaduras são desejáveis e devem ser instaladas, pregação feita um dia sim e o outro também pelo presidente Jair Bolsonaro. Ditaduras prendem, torturam e matam seus opositores. A democracia responde a ameaças autoritárias de forma civilizada, levando criminosos à Justiça e, eventualmente, à prisão. Não tortura nem mata.

O prefeito Paes e o advogado Arruda Botelho merecem ter as suas reflexões levadas em conta no debate público. São democratas. E democratas precisam, sim, vigiar abusos e criticá-los. Freios e contrapesos são fundamentais numa democracia verdadeira.

Talvez Alexandre de Moraes devesse, até para efeito didático, ter sido mais claro na fundamentação da ordem de prisão, que foi pedida pela Polícia Federal.

No entanto, são públicos e notórios os crimes de Roberto Jefferson contra a democracia. O petebista incita o ódio no debate público ao posar com armas nas redes sociais. Defende a derrubada dos 11 ministros do STF. Pede golpe militar.

Basta!

É preciso responsabilizar esses criminosos em série contra a democracia. O chefe dessa organização criminosa é o genocida que dá plantão no Palácio do Planalto. A vez dele precisa chegar.

A prisão de Roberto Jefferson, portanto, é uma medida necessária para tentar conter a escalada autoritária de Bolsonaro e seus militares golpistas.

Na disputa eleitoral de 2018, uma avalanche de fake news, o endosso hipócrita da Lava Jato a Bolsonaro e a normalização do pior político brasileiro pela imprensa jogaram o Brasil no abismo.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes vem em boa hora. Devemos começar em 2021 a lutar com mais ênfase em defesa da democracia para que a mentira e ódio não prevaleçam nas eleições de 2022. Faz tempo que já estava passando da hora de conter o golpismo de Bolsonaro e seus bárbaros.