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Kennedy Alencar

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

No teto, desafio de Lula é evitar sangria para manter apelo pelo voto útil

Lula, que tem chance de vencer no primeiro turno - Ricardo Stuckert/Divulgação
Lula, que tem chance de vencer no primeiro turno Imagem: Ricardo Stuckert/Divulgação
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Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

23/06/2022 18h31Atualizada em 23/06/2022 18h40

A nova pesquisa Datafolha mostra que o principal desafio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é evitar uma sangria de votos que evite a sua vitória em primeiro turno. A pesquisa feita ontem e hoje repete basicamente os resultados da realizada no fim de maio.

Ou seja, Lula parece ter atingido o seu teto de votos. Tinha 48% no fim de maio. Oscilou um ponto negativamente agora e tem 47%. O presidente Jair Bolsonaro, que tinha 27% na pesquisa anterior, oscilou positivamente um ponto percentual. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A boa notícia para Lula é que ele venceria a eleição no primeiro turno se o pleito fosse hoje. Mas acontece que não é. Ele tem 47% contra 41% da soma dos adversários —seis pontos percentuais, uma margem estreita numa campanha que ainda tem pouco mais de três meses até o primeiro turno em 2 de outubro.

O principal desafio do petista é não perder votos. Para tanto, terá de passar pelo período mais intenso da campanha, no qual será atacado duramente. Bolsonaro prepara seu arsenal de fake news e distorções para tentar aumentar a rejeição do petista.

Lula também precisa evitar os erros que comete por conta própria. Na semana passada, por exemplo, fez menção a uma articulação durante o governo FHC para enviar sequestradores do empresário Abílio Diniz para cumprir pena em seus países. Bolsonaro e seus apoiadores aproveitaram o episódio para dizer que o petista defende bandidos. Por iniciativa própria, Lula forneceu munição ao adversário e permitiu que uma ação humanitária fosse descrita como proteção a criminosos.

Em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, não havia repercussão tão imediata de declarações desastradas ou infelizes. Vinte anos depois, com redes sociais e filmagens de celular ao vivo, qualquer fala mal calibrada pode dar oportunidade a ataques de adversários, especialmente de um presidente da República que usa a mentira como arma política.

Para a chamada terceira via, a nova pesquisa Datafolha é mais uma ducha de água fria. Ciro Gomes (PDT) oscilou positivamente um ponto percentual. Tinha 7% no fim de maio. Marcou 8% no levantamento feito ontem e hoje.

Simone Tebet (MDB), com 1%, vem atrás numericamente de André Janones (Avante), que obteve 2%.

Com a campanha chegando aos três meses finais, Ciro e Tebet correm o risco de perder apoio num segmento do eleitorado que decida pelo voto útil no primeiro turno a fim de tentar liquidar logo a fatura. Lula conta com esse movimento de voto útil para vencer na primeira rodada. No entanto, para manter vivo o argumento do voto útil, a primeira tarefa é não perder os votos com os quais já conta.