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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

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Lula fará apelo para França apoiar Haddad; PT vê erro ao citar sequestro

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Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

21/06/2022 12h45

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu virtual candidato a vice-presidente, o ex-governador Geraldo Alckmin, deverão fazer um apelo ao ex-governador Márcio França (PSB) para que ele retire a candidatura ao Palácio dos Bandeirantes e dê apoio à do ex-ministro Fernando Haddad (PT). França seria candidato ao Senado com apoio do PT. Os petistas querem que o PSOL entre nessa articulação.

Há expectativa de que esse apelo ocorra ao longo desta semana, provavelmente numa reunião entre Lula, Alckmin e França. Esse pedido já deveria ter sido feito, mas foi adiado porque Lula contraiu covid-19 novamente. Márcio França também.

Um dos principais obstáculos para França desistir é que ele teria de disputar o Senado contra um concorrente forte, o apresentador de TV José Luiz Datena (PSC). Ou seja, ele abriria mão da candidatura ao governo paulista para concorrer a uma vaga incerta de senador.

No PT, há a avaliação de que Datena possa desistir da candidatura, a exemplo do que já fez em outras eleições. Os petistas também acham importante atrair o apoio do PSOL a França. Nesse sentido, uma possibilidade seria dar a vaga de vice de Haddad ao PSOL para que o partido não lance candidato ao Senado e França seja o nome da aliança em São Paulo.

Uma ala do PT vê com simpatia o nome do presidente do PSOL, Juliano Medeiros, para ser vice de Haddad. No entanto, há setores que avaliam que isso aumentaria resistências no interior paulista e que Haddad deveria ter um vice de perfil mais conservador para ampliar a possibilidade de voto.

Os defensores de ceder a vaga de vice ao PSOL afirmam que a campanha de Haddad já foi beneficiada com a desistência de Guilherme Boulos de disputar o governo paulista. Outro argumento: fazer essa aliança com o PSOL, que não lançaria nome ao Senado, daria mais segurança a França na disputa pelo Senado. Neste ano, há apenas uma vaga para o Senado por Estado. Em 2018, eram duas.

Detalhe: é preciso combinar com o PSOL a desistência de disputar o Senado em benefício de França. Lula teria de entrar nessa articulação diretamente e fazer apelo nesse sentido.

Tiro no pé

"Infeliz." Assim foi descrita a menção de Lula à articulação que fez no governo FHC para que sequestradores de Abílio Diniz encerrassem uma greve de fome em troca de serem enviados para cumprir penas em seus países.

Na verdade, foi um erro do petista, que criou agenda negativa por conta própria e permitiu a Bolsonaro distorcer a fala e transformar uma ação humanitária em defesa de criminosos. Lula fez a citação em Maceió para mostrar que tinha relação política antiga com o senador Renan Calheiros, que foi ministro da Justiça do governo FHC.

O bolsonarismo tem usado a fala em redes sociais. O presidente disse que Lula deu senha de apreço a narcotraficantes e bandidos, o que é mentira. Esses assuntos foram abordados no podcast "O Radar das Eleições" desta semana.

Avanço

A cúpula do PT avalia que deverá ser feita uma aliança no Espírito Santo para apoiar a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB). Para tanto, o senador Fabiano Contarato teria de desistir de concorrer ao governo capixaba.

Fracasso

Dificilmente haverá aliança entre PT e PSB no Rio Grande do Sul. A tendência é que Lula tenha palanque duplo no estado. Beto Albuquerque concorrerá pelo PSB. Edegar Pretto, pelo PT.

Gol político

Em Minas, o PT vê com bons olhos a costura de Alexandre Kalil (PSD) para ter o apoio do União Brasil na disputa contra o governador Romeu Zema (Novo), candidato à reeleição. Kalil fortalece o palanque de Lula no estado ao criar uma cunha no campo de direita e extrema-direita.

No segundo maior colégio eleitoral do Brasil, aliança pode garantir votos para vitória em primeiro turno, avalia a cúpula da campanha.

Efeito Amazônia

Há expectativa na campanha do PT de que a rodada desta semana do Datafolha traga números parecidos com os do último levantamento, no qual foi apontada chance de vitória de Lula no primeiro turno. O PT também avalia que os assassinatos do jornalista Dom Philips e do indigenista Bruno Araújo Pereira tendem a desgastar Bolsonaro eleitoralmente.