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Maria Carolina Trevisan

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Juventude falta a atos antidemocráticos de Bolsonaro, retrato do retrocesso

Ato pró-Bolsonaro e a favor do voto impresso na Avenida Paulista, em São Paulo - José Dacau/UOL
Ato pró-Bolsonaro e a favor do voto impresso na Avenida Paulista, em São Paulo Imagem: José Dacau/UOL
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Maria Carolina Trevisan

Maria Carolina Trevisan é jornalista especializada na cobertura de direitos humanos, políticas públicas sociais e democracia. Foi repórter especial da Revista Brasileiros, colaborou para IstoÉ, Época, Folha de S. Paulo, Estadão, Trip e Marie Claire. Trabalhou em regiões de extrema pobreza por quase 10 anos e estuda desigualdades raciais há oito anos. Coordena a área de comunicação do projeto Memória Massacre Carandiru e é pesquisadora da Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós Graduação. É coordenadora de projetos da Andi - Comunicação e Direitos. Em 2015, recebeu o diploma de Jornalista Amiga da Criança por sua trajetória com os direitos da infância.

Colunista do UOL

07/09/2021 18h12

O que se viu nas manifestações antidemocráticas capitaneadas por Bolsonaro neste sete de setembro foi a presença majoritária de homens, brancos, mais velhos. Gente que vibra na frequência dos confrontos, da violência e do xingamento. Um público que despreza o olhar coletivo, o respeito ao outro.

Onde estava a juventude nos atos bolsonaristas antidemocráticos?

É cada vez menor a fatia da população brasileira que apoia o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Sua rejeição não para de aumentar, alcançando recordes a cada semana. Sobrou a ele uma minoria ruidosa e raivosa, composta de negacionistas, parte do agronegócio e parte dos evangélicos, mais homens que mulheres.

Os jovens correspondem à faixa etária que menos se alinha ao presidente do Brasil: 73% dos brasileiros entre 16 e 24 anos desaprovam Bolsonaro, como mostrou a pesquisa do Instituto Atlas Político, divulgada nesta segunda (6). Nessa faixa etária, 69% disseram que "com certeza" não participariam das manifestações neste sete de setembro.

É característica do bolsonarismo radical se colocar acima das leis e das regras, como se esses "homens de bem" pudessem violar a democracia sem consequências e sem freios. Como se essas pessoas se considerassem acima da cidadania de mais de 64% de brasileiros que desaprovam Bolsonaro. Soberba de quem se acha invencível, como tantas vezes declarou o próprio Jair Bolsonaro.

São 24% que defendem o presidente com unhas, dentes e armas, que consideram seu governo "ótimo/bom". Nas ruas, esses manifestantes capazes de cantar "eu autorizo" em alusão a medidas contra a democracia e as instituições. Brincam com a vida do país como se nossa realidade não fosse de desemprego, inflação, fome e morte. Fizeram questão de não usar máscaras de proteção contra a covid-19. Sentem-se "imorríveis", para citar uma palavra que Jair Bolsonaro utiliza em referência a si mesmo.

O fato é que sem juventude não há esperança, não há alegria, não há leveza, não há futuro. Os atos antidemocráticos desta terça celebraram uma ideia de retrocesso que não cabe mais ao Brasil. Bolsonaro se mostra cada vez mais sem saída, ao insuflar sua base de eleitores fanáticos contra as instituições. A reação às provocações contra a democracia deve ser forte e pode pavimentar um caminho cada vez mais sólido a favor do impeachment.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL