PUBLICIDADE
Topo

Maria Carolina Trevisan

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Queiroga assume bolsonarismo radical ao mentir sobre óbitos e vacinas

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga - Reprodução/Instagram
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga Imagem: Reprodução/Instagram
Conteúdo exclusivo para assinantes
Maria Carolina Trevisan

Maria Carolina Trevisan é jornalista especializada na cobertura de direitos humanos, políticas públicas sociais e democracia. Foi repórter especial da Revista Brasileiros, colaborou para IstoÉ, Época, Folha de S. Paulo, Estadão, Trip e Marie Claire. Trabalhou em regiões de extrema pobreza por quase 10 anos e estuda desigualdades raciais há oito anos. Coordena a área de comunicação do projeto Memória Massacre Carandiru e é pesquisadora da Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós Graduação. É coordenadora de projetos da Andi - Comunicação e Direitos. Em 2015, recebeu o diploma de Jornalista Amiga da Criança por sua trajetória com os direitos da infância.

Colunista do UOL

18/01/2022 08h07

Acabou o tempo de encenação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Com a declaração leviana, maldosa e mentirosa de que há 4.000 óbitos relacionados à vacina contra a covid-19, bem no momento de explosão de casos no Brasil e no mundo, o ministro deixa claro que sua presença na pasta da Saúde tem pouco a ver com a gestão adequada da pandemia. Queiroga está lá para realizar os desejos negacionistas de seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, e satisfazer uma minoria de brasileiros que arrisca a própria vida e a dos outros ao negar a vacina.

Questionado pela Folha, Queiroga primeiro reafirmou os dados e falou em 3.935 óbitos. Mas o próprio ministério que ele gerencia tem compiladas 11 mortes (dados de outubro) relacionadas a reações da vacina em um país com 147 milhões de pessoas com esquema vacinal completo até esta segunda (17).

O Brasil quer se vacinar e quer suas crianças imunizadas. O Datafolha mostrou que 79% dos brasileiros apoiam a vacinação infantil, 58% acham que o presidente Bolsonaro atrapalha a vacinação das crianças e 81% querem o passaporte da vacina. Tem crianças internadas em estado grave por causa da covid e da falta de uma vacina, como relatou o governo do Rio de Janeiro. Enquanto isso, o presidente Bolsonaro parece focar em aumentar o número de infectados e mortos pela covid-19. O Brasil poderia estar liderando um movimento mundial de prevenção, ser exemplo de imunização, com prestação de contas diárias por parte do presidente e do ministro à população. Seria esse o trabalho do governo.

A atitude da população brasileira de aderir à vacinação em massa a despeito do chefe da nação e do ministro da Saúde é caso único no mundo. É muito triste um país que tenha que passar por uma pandemia com líderes que expõem brasileiros ao vírus.

Mas esse cenário mostra que há esperança de reconstrução quando finalmente esse governo terminar: as estruturas construídas estão firmes, como é o caso do Plano Nacional de Imunização, do Sistema Único de Saúde, do Bolsa Família, dos Centros de Referência de Assistência Social, que Bolsonaro e seus ministros tentaram destruir e não conseguiram.

Com essas ações, Bolsonaro e Queiroga trabalham ao contrário das expectativas dos eleitores e se afastam cada vez mais da reeleição. A vacinação infantil sendo boicotada é sensível demais e pega duramente no peito de quem tem filhos, sobrinhos, afilhados, netos. O país inteiro assistiu e sentiu, nesta segunda, o alívio que é proteger uma criança com comorbidade ou deficiência de um vírus que pode ser letal, depois de os pequenos ficarem dois anos confinados pela ambiente arriscado. É cruel não turbinar a campanha de vacinação infantil. As urnas vão cobrar.