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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro quer imitar FHC, Lula e Collor em debates, mas esqueceu de algo

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

01/06/2022 07h01

Confirmando o que já se imaginava, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou esta semana que não pretende participar de debates eleitorais na televisão no primeiro turno. "No segundo turno eu vou participar. Se eu for para o segundo turno, devo ir né, vou participar", disse. A se confirmar esta intenção, não será a primeira vez que um presidente disputando a reeleição foge de debates eleitorais.

Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1998, e Lula (PT), em 2006, adotaram atitudes idênticas. Ambos disputavam um segundo mandato e avaliaram que seriam os alvos principais dos demais candidatos nos debates. Como, nos dois momentos, ambos lideravam as pesquisas eleitorais, entenderam que não compensava o desgaste.

Este é o raciocínio de Bolsonaro quando avalia se irá a debates no primeiro turno: "No primeiro turno, a gente pensa [se participa ou não]. Por quê? Se eu for, os dez candidatos ali vão querer a todo o tempo dar pancada em mim e eu não vou ter tempo de responder a eles. Um vai fazer pergunta para o outro e vão dar pancada em mim."

A estratégia funcionou muito bem para FHC, que se elegeu já no primeiro turno, mas nem tanto para Lula, que ainda teve que disputar o segundo turno contra Geraldo Alckmin, então o candidato do PSDB.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta desde o fim da ditadura militar, o candidato Fernando Collor, então liderando as pesquisas eleitorais, também decidiu não ir aos debates do primeiro turno. A sua opção também funcionou. Passou em primeiro lugar e só no segundo turno participou de debate com Lula.

O que diferencia Bolsonaro em 2022 de FHC, Lula e Collor é que o atual presidente não está à frente nas pesquisas eleitorais. Alguns cenários, inclusive, indicam a possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno. Neste caso, a estratégia de não participar de debates pode não ser a melhor.

O ex-presidente Lula também não vê com muita simpatia a participação em debates neste primeiro turno. Já foi convidado para 11 encontros deste tipo. Mas, segundo o jornalista Kennedy Alencar, colunista do UOL, estaria disposto a participar de três debates em forma de pool, reunindo diferentes emissoras de rádio, TV, jornais, revistas e portais a cada encontro.

Debates em 2018

Com problemas de saúde por causa do atentado a faca que sofreu em 6 de setembro de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro participou de apenas dois debates no primeiro turno. Por este motivo, também, não houve nenhum debate no segundo turno.

Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), chegaram às urnas sem jamais terem se enfrentado em um debate - no primeiro turno, dos sete encontros do gênero, o candidato do PSL esteve nos dois primeiros e o candidato do PT nos quatro últimos.