PUBLICIDADE
Topo

Marcelo Odebrecht diz que empresa é o "quintal de maldades" do pai

O empreiteiro Marcelo Odebrecht durante depoimento à CPI da Petrobras, em setembro de 2015 - Giuliano Gomes/Folhapress
O empreiteiro Marcelo Odebrecht durante depoimento à CPI da Petrobras, em setembro de 2015 Imagem: Giuliano Gomes/Folhapress
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

22/07/2020 14h22

O empresário Marcelo Odebrecht disse à Justiça que a empreiteira que leva o nome da família é "o quintal de maldades de Emílio", em referência ao pai, Emílio Odebrecht.

No documento, o acionista e herdeiro da construtora afirma ter renunciado, durante a Operação Lava Jato, ao seu direito de defesa em ações nas quais os "verdadeiros responsáveis" são Emílio, o cunhado Maurício Ferro e diversos outros executivos da empresa.

Marcelo diz ter tido a coragem de assumir sua responsabilidade e colaborar com a Justiça para salvar a empresa e que "todas as decisões adotadas pela Odebrecht representam a vontade de quem tem o controle absoluto da companhia", referindo-se ao seu pai.

Um dos principais personagens do maior escândalo de corrupção da história do país, Marcelo foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão, fez um acordo de delação premiada e deixou a prisão em dezembro de 2017 para cumprir a pena em regime domiciliar fechado. No ano passado, conseguiu progressão da pena para o regime semiaberto.

As declarações constam de uma petição na qual Marcelo pede o desbloqueio de seus bens pessoais, os de sua mulher e filhas, que, segundo ele, totalizam R$ 113 milhões. Em razão do bloqueio judicial, o empresário afirma ter acumulado R$ 700 mil em dívidas.

Guerra de versões

O bloqueio foi determinado em março, a pedido da Odebrecht, que afirma querer recuperar valores (R$ 143,5 milhões) que teriam sido indevidamente transferidos a Marcelo por meio de um contrato ilegal. O dinheiro foi pago como compensação por sua colaboração com as investigações, mas a empresa diz que esse acordo foi assinado pela antiga diretoria da companhia mediante ameaças de que ele incriminaria executivos da organização.

Marcelo diz que essa narrativa é fantasiosa e que a empresa tenta sufocá-lo financeiramente por temer a intensificação de sua colaboração premiada.

Também em petição apresentada à Justiça, a Odebrecht afirma que o esquema de corrupção revelado pela Lava Jato foi "liderado" por Marcelo. Disse também que ele ameaçou a empresa dizendo que "mentiria" para as autoridades criminais. "Seus achaques e suas ameaças foram constantes ao longo dos anos", diz.

"O Sr. Marcelo Odebrecht sempre deixou claro que não teria nenhum escrúpulo em destruir a companhia para obter aquilo que desejasse, fossem vantagens patrimoniais, ingerência em decisões comerciais ou poder de controle sobre funcionários da empresa."