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Rogério Gentile

Modelo uruguaia cobra R$ 345 mil de Saul Klein por serviços sexuais

Saul Klein fotografado em uma de suas festas - Reprodução/TV Globo
Saul Klein fotografado em uma de suas festas Imagem: Reprodução/TV Globo
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

28/01/2021 09h49

A modelo uruguaia M.M.A, 23 anos, afirmou à Justiça ter cerca de R$ 345 mil a receber em direitos trabalhistas do empresário Saul Klein, 66, filho do fundador das Casas Bahia.

M.M.A. disse ter sido contratada em maio de 2016, aos 18 anos, para a exercer a função de modelo na casa e no sítio do empresário, ganhando um salário mensal de R$ 30 mil.

No processo, ela conta que, após a contratação, no entanto, passou a desempenhar funções diferentes, "um misto de cuidadora, doméstica e acompanhante". O objetivo real da contratação, disse, era "alimentar os fetiches sexuais do seu empregador".

Pedro Bastos Lund, advogado de M.M.A., afirmou no processo que a jovem foi "seduzida por uma promessa de emprego na cidade de São Paulo, com ganhos significativos e a possibilidade de construir uma carreira de sucesso como modelo".

Na casa, segundo o relato feito à Justiça, sempre ficavam no mínimo seis garotas de segunda a quinta e 17 garotas de quinta a domingo. Como regra, disse, deveriam ser sempre pontuais, usar saia curta, fazer aulas de ballet e de piano, ler determinados livros e assistir a filmes para que, posteriormente, pudessem conversar com o empresário sobre tais assuntos.

M.M.A afirmou que tinham de "transar" com o empresário, "de forma individual ou em grupos, satisfazendo-o e cumprindo com o que ele determinasse", independentemente da vontade delas. "Tal prática era imposta sem preservativo", disse.

A jovem, que foi demitida em janeiro de 2018, afirmou ter desistido do processo trabalhista, no qual cobrava R$ 2,3 milhões (considerando férias, hora extra, adicional noturno e verbas rescisórias entre outros direitos), depois de ter sido procurada por representantes do empresário com uma oferta de acordo.

O documento previa o pagamento de R$ 800 mil e a garantia de sigilo _M.M.A. não poderia, em hipótese, alguma falar da vida do empresário nem mesmo com parentes dela, bem como teria de se abster de atuar como testemunha em processos judicias.

Dos R$ 800 mil acordados, a modelo recebeu cerca de R$ 455 mil em 29 parcelas de R$ 15,7 mil. Depois de abril de 2019, nada mais foi pago. O processo de execução foi aberto, então, no Tribunal de Justiça de São Paulo.

O empresário afirmou que não sabia da existência do acordo, que a assinatura no documento não é sua e que jamais fez qualquer pagamento. "Se ela recebeu parte dos valores descritos no 'acordo', não foram pagos por ele", afirmou a defesa de Klein à Justiça.

"A versão do empresário remonta aos filmes da Walt Disney, onde ele encontra uma fada madrinha que soluciona os problemas da sua vida através de mágica, realizando acordos, bem como, pagamentos", respondeu o advogado da modelo à Justiça. "A fada madrinha foi responsável pelo pagamento de 29 parcelas no valor de R$ 15 mil cada!"

No início do mês, após a realização de uma perícia, o Tribunal de Justiça de São Paulo isentou Klein de fazer o pagamento cobrado pela modelo. Concluiu que a assinatura atribuída a Klein não era realmente dele, fora falsificada, e que a representante que firmou o acordo em seu nome não tinha poderes para tanto, embora trabalhasse com ele à época.

Nas próximas semanas, a defesa da modelo diz que entrará com outra medida judicial a fim de reestabelecer o pagamento.

Klein, que é acusado de aliciar e estuprar 14 mulheres em festas em sua casa, desde 2008, afirma nunca ter cometido os crimes e que é vítima de um grupo organizado que se uniu com o objetivo de enriquecer ilicitamente.

Segundo a defesa, o empresário tinha uma agenciadora que recrutava modelos para festas e eventos em suas propriedades. Ele afirma que jamais manteve com nenhuma delas relações não consensuais.

Sobre M.M.A., Klein diz que ela nunca foi sua funcionária. "Na verdade, foi uma das modelos contratadas por uma empresa especializada para participar de eventos promovidos na residência do Sr. Klein", afirma o advogado André Boiani e Azevedo. "Ela frequentou a sua residência na condição de 'sugar baby'", como é chamada uma garota sustentada por um homem mais velho e rico, o 'daddy'.

O advogado cita que o acordo no qual a cobrança está lastreada foi feito com base em uma assinatura falsa e que tal fato será em breve alvo de uma investigação policial.

"O Sr Klein reafirma que jamais praticou qualquer ato ilícito e que não manteve vínculo de emprego com qualquer modelo".