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Rogério Gentile

Engenheiro agredido em show do Capital Inicial ganha indenização na Justiça

Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial - Bruno Trindade/b+ca
Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial Imagem: Bruno Trindade/b+ca
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

23/09/2021 09h40

A Justiça de São Paulo condenou três empresas que participaram da organização de um show da banda Capital Inicial na cidade de São José dos Campos, em 10 de março de 2018, a pagar uma indenização de cerca de R$ 15,6 mil ao engenheiro A.S.P. O valor ainda será acrescido de juros e correção monetária.

Na ocasião, cansado de esperar pelo início da apresentação, após um atraso de três horas e vinte minutos, o engenheiro procurou funcionários do evento para exigir a devolução do ingresso. O relógio marcava 1h20 da madrugada, e outras pessoas, irritadas pela demora, faziam o mesmo.

Quatro seguranças do show apareceram, e A.S.P. foi imobilizado com um golpe de estrangulamento, a chamada "gravata". Enquanto era conduzido para fora do salão, um dos seguranças desferiu um soco em seu rosto, quebrando-lhe o nariz. Ensanguentado, o engenheiro foi deixado na escadaria da saída do Clube de Campo Luso-Brasileiro, o local do evento.

Foram condenadas as empresas Oxigênio Organização de Eventos, Dvulga Promoções de Festas e Patriota Seguranças, que ainda podem recorrer da decisão.

A Oxigênio disse à Justiça não ter responsabilidade pela agressão cometida pelos seguranças. "Os nossos funcionários jamais agrediram fisicamente o autor [do processo]", afirmou. "Quem causou os danos físicos e psicológicos foram os seguranças da empresa Patriota Segurança."

O desembargador João Pazine Neto, relator do processo no Tribunal de Justiça de São Paulo, não aceitou a argumentação. Citando o Código de Defesa do Consumidor, disse que "é inequívoco que a empresa integra a cadeia de fornecimento e, assim, responde solidariamente pelo ato ilícito praticado".

As outras empresas não apresentaram defesa no processo. A coluna não conseguiu contato com os seus responsáveis.

Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, divulgou à época uma nota pedindo desculpas pelo atraso. A banda lamentou também a agressão, dizendo que o episódio era inadmissível.