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Rogério Gentile

Bruno Henrique e torcedora disputam na Justiça a marca 'otô patamá'

Bruno Henrique - Staff Images / CONMEBOL
Bruno Henrique Imagem: Staff Images / CONMEBOL
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

13/10/2021 09h27

Josineide Constantino Dantas, torcedora do Flamengo, quer impedir o jogador Bruno Henrique de explorar comercialmente a marca "Otô Patamá".

A torcedora entrou na Justiça contra o atleta argumentando possuir o registro da marca no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e disse que apenas ela pode utilizá-la no comércio de roupas e artigos esportivos, entre outros produtos. Josineide cobra uma indenização de cerca de R$ 13 milhões.

A expressão "oto patamá" foi utilizada por Bruno Henrique em novembro de 2019 após uma partida do Flamengo contra o Vasco. Na ocasião, ao provocar o clube rival, o atacante disse que a sua equipe estava em "outro patamar". A frase virou slogan da torcida e até título de uma música do rapper Djonga, na qual cita nominalmente o jogador.

No processo, Josineide afirma que, ao ouvir a entrevista de Bruno Henrique, achou que o bordão seria um ótimo nome para uma marca de roupas esportivas. Procurou, então, o INPI e fez o registro. "[O atleta] tem se valido da marca da autora para obter lucros e subsídios comerciais", afirmou à Justiça.

Em agosto, por meio de seus advogados, Bruno Henrique enviou uma notificação à torcedora na qual afirma que ela, de modo "ardiloso", "tenta pegar carona" na sua fama. "Estamos diante de um caso típico de aproveitamento parasitário", afirmou no documento.

Na notificação, Bruno Henrique disse ter feito três pedidos de registro da marca no INPI e que a torcedora está violando o seu direito à marca.

Luci de Barros, advogada da torcedora, disse que a marca pertence a quem a registrou. "A tese parasitária não é utilizada no nosso país", afirmou. A advogada disse que, após o registro da marca, o atleta teve um prazo para impugnar o pedido, mas não o fez. "A minha cliente fez tudo de acordo com a lei. O direito precisa ser respeitado em nosso país."

O processo, que tramita na 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo, ainda não foi julgado.