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Rogério Gentile

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Noivos vão à Justiça, e SBT é condenado a bancar lua de mel em Acapulco

Chris Flores, apresentadora do "Fábrica de Casamentos" - Divulgação/SBT
Chris Flores, apresentadora do "Fábrica de Casamentos" Imagem: Divulgação/SBT
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

07/06/2022 10h42

A Justiça de São Paulo condenou o SBT a pagar a viagem de lua de mel de um casal que participou, em junho de 2018, do "Fábrica de Casamentos", um reality show no qual uma equipe de especialistas tem a missão de preparar uma festa de casamento no prazo de sete dias.

A nutricionista J.M. e o editor de vídeo E.S. realizaram seu casamento no reality e ganharam, na parte final do programa, como prêmio, uma viagem de lua de mel para Acapulco, no México. Um cheque cenográfico gigante foi entregue a eles na ocasião pelos apresentadores Chris Flores e Carlos Bertolazzi.

A viagem, no entanto, nunca foi realizada.

"Foram criadas todas as desculpas possíveis para não se conceder a viagem", afirmou a defesa do casal à Justiça, citando, por exemplo, que a lua de mel não poderia ocorrer em data escolhida por eles, pois "em hipótese alguma" seria realizada na "alta temporada".

"Ao longo de todos esses mais de 40 meses de tratativas, o casal nunca teve uma definição ou qualquer comprovação de que a viagem seria de fato realizada, como por exemplo, o envio de documentação que demonstrasse a reserva de hotel ou até mesmo aquisição de passagens aéreas em seus nomes", declarou à Justiça a advogada Vanessa Rascov, que representa o casal.

O juiz José Francisco Matos condenou o SBT a pagar R$ 26 mil ao casal, valor que considera a despesa com a viagem e uma indenização por danos morais. Além do SBT foram condenados também as empresas Discovery Networks Brasil, Formata Produções e Conteúdo Ltda. e Cinqtours Viagens e Turismo Ltda., parceiras na realização do reality.

"Quatro anos após a oferta realizada, as rés não disponibilizaram ao casal a viagem prometida", destacou o juiz na decisão. O atraso na disponibilização da viagem foi exacerbado e foge do razoável."

Os valores serão acrescidos ainda de juros e correção monetária desde o início do processo.

O SBT e as demais empresas ainda podem recorrer da decisão.

Na defesa apresentada à Justiça, a emissora argumentou que "ocorreram situações incontroláveis que atrasaram o momento de veraneio em praias mexicanas".

"A viagem de núpcias, infelizmente, foi postergada por inúmeros problemas burocráticos gerados pela pandemia", afirmou o SBT à Justiça, citando que o prêmio é uma "doação" e, sendo assim, poderia ser "refugada". De acordo com a emissora, ninguém pode ser compelido a fazer uma doação "sob vara".

A Discovery disse que não manteve nenhuma relação contratual com os autores do processo, que não possui conhecimento sobre a promessa de realização da viagem e que não pode ser responsabilizada pelos fatos. Afirmou que apenas exibiu o programa.

A Cinqtours Viagens disse ter sido incumbida de fornecer a viagem e que, em nenhum momento, se negou a prestar o serviço.

Afirmou que a lua de mel não ocorreu num primeiro momento porque o casal não tinha visto para os Estados Unidos, onde seria realizada a escala da viagem. Disse também que, na sequência, as medidas de restrições impostas por conta da pandemia impossibilitaram a realização da viagem.

A Formata não apresentou defesa no processo.