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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Foto de Bolsonaro com "CPF cancelado" envergonha até bolsonaristas

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

26/04/2021 11h22

Boa parte das 57,7 milhões de pessoas que votaram em Bolsonaro em 2018 o fizeram porque queriam ver o PT pelas costas. Outra parte dos que depositaram o seu voto em favor do ex-capitão era formada por pais insatisfeitos com o viés de esquerda da escola de seus filhos; comerciantes e fazendeiros que, escaldados por assaltos, defendiam maior acesso às armas; evangélicos receosos dos avanços das pautas LGBTQ+; além de gente que perdeu o emprego, o negócio ou as economias no corrosivo governo Dilma.

Bolsonaro chegou ao poder legitimado pelo voto desses brasileiros - que, se podiam ser chamados de antipetistas e conservadores nos costumes, seguramente não compunham uma horda de fascistas, golpistas e "genocidas". Eram brasileiros que tinham aspirações legítimas e acreditavam que Bolsonaro poderia melhorar suas vidas e o Brasil.

Logo no início, porém, o ex-capitão deixou aparecer, por baixo do paletó, o rabo da rachadinha. Em seguida, vieram o divórcio da Lava Jato, o casamento com o Centrão, o esvaziamento do Posto Ipiranga, o desastre na condução da pandemia e a diária constatação de que o ex-deputado de baixo clero não apenas não fora talhado para o cargo como estava firmemente disposto a transformar o Brasil num país tristemente ridículo.

Jair Bolsonaro segura caixa de cloroquina do lado de fora do Palácio da Alvorada - REUTERS/Adriano Machado - REUTERS/Adriano Machado
Bolsonaro mostra caixa de cloroquina para ema
Imagem: REUTERS/Adriano Machado

O presidente da República corre atrás de emas com uma caixa de cloroquina na mão, arranca risos do planeta ao ameaçar declarar guerra aos Estados Unidos, bravateia ameaças golpistas para as quais ninguém mais liga e vai a programas de TV fazer piadas de tio do pavê, para depois posar ao lado do anfitrião com todos os dentes à mostra e um cartaz de "CPF cancelado" nas mãos — às vésperas de o país atingir o marco de 400 mil mortos pela covid-19.

Bolsonaro traiu 57,7 milhões de eleitores.

Bolsonaro envergonha até os bolsonaristas.

Bolsonaro não tem graça nenhuma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL