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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Almoço da "terceira via" terá caciques de partidos e muita pedra no feijão

O ex-ministro Mandetta: ele quer enfrentar Bolsonaro, mas partido não sabe ainda se é oposição ou governo - Foto: Leonardo de França/Jornal Midiamax
O ex-ministro Mandetta: ele quer enfrentar Bolsonaro, mas partido não sabe ainda se é oposição ou governo Imagem: Foto: Leonardo de França/Jornal Midiamax
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

15/06/2021 11h49

Políticos empenhados em encontrar uma candidatura capaz de romper a polarização entre Lula e Bolsonaro almoçam amanhã em Brasília.

Será o primeiro encontro presencial do grupo, e também o primeiro com a participação de presidentes de partidos.

Confirmaram presença, entre outros, Bruno Araújo (PSDB), ACM Neto (DEM), Baleia Rossi (MDB) e Roberto Freire (Cidadania). O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) também estará lá.

Os mais otimistas esperam que a reunião sirva para "identificar afinidades" e perscrutar a viabilidade de uma "pré-aliança" que, láááá na frente — talvez, quem sabe— possa reunir na mesma mesa um punhado de pré-candidatos de cada partido para dele tirar o nome mais capaz de enfrentar o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022.

A meta parece bastante modesta. E não poderia ser diferente, dado o tamanho dos caroços com que se defrontarão os organizadores do almoço.

O DEM, por exemplo, não tem um pré-candidato para sentar-se à mesa da terceira via porque mal sabe se é oposição ou governo.

Seu presidente, ACM Neto, chegou a declarar que não descarta a possibilidade de o partido apoiar Bolsonaro em 2022. O DEM tem dois ministros no governo, Onyx Lorenzoni (Secretaria Geral) e Teresa Cristina (Agricultura) — e um ex-ministro (Mandetta) ansioso para enfrentar o presidente nas urnas.

Situação inversa vive o MDB de Baleia Rossi, em que parte da Executiva Nacional flerta abertamente com Lula (PT).

Já o PSDB conta com nada menos que quatro postulantes para o posto de pré-candidato para 2022 e até agora não conseguiu nem sequer chegar a um acordo sobre o FORMATO das prévias que definirão esse nome. Correm na raia o governador de São Paulo, João Doria; o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; o senador Tasso Jereissati; e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

O Novo, embora nanico, não se encontra em melhor situação. Pode não ter tamanho, mas já tem um número de correntes suficiente para emperrar seu crescimento. A última briga entre essas correntes fez o ex-candidato a presidente em 2018 pela sigla, João Amoêdo, desistir de lançar sua pré-candidatura. Ele deve deixar o Novo em breve.

Amoêdo é membro de um ativo grupo de WhatsApp que reúne os ex-ministros Mandetta, Sergio Moro e Carlos Alberto Santos Cruz.

Seus integrantes se falam praticamente todos os dias. Nas conversas, Moro e o general Santos Cruz se colocam expressamente como apoiadores de uma eventual candidatura de terceira via, nunca como candidatos.

O grupo de WhatsApp foi criado por Mandetta, também organizador do "Manifesto pela democracia", lançado no dia 31 de março e assinado por Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB) e Luciano Huck (sem partido).

Na ocasião, muitos enxergaram o manifesto como ponto de partida de uma possível união para a corrida presidencial - uma visão otimista demais, como hoje se constata.

A um ano e meio da eleição, Lula e Bolsonaro seguem com as botas quentes.

E a terceira via continua sendo só um congestionamento.