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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Destino da terceira via está atado ao PSDB, onde ninguém ama ninguém

Geraldo Alckmin: adeus, tucanos - Daniel Ramalho/AFP
Geraldo Alckmin: adeus, tucanos Imagem: Daniel Ramalho/AFP
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

23/06/2021 12h08

João Doria tentou expulsar do PSDB Aécio Neves, que criticou o aperto de mãos dado em Lula por FHC, que apostou e fracassou no projeto Luciano Huck, que mesmo sem ser do time chamou de "velha política" a candidatura de 2018 de Geraldo Alckmin, que, derrotado por Doria na tentativa de liderar a legenda em São Paulo, agora se prepara para sair dela.

Na ciranda do PSDB, ninguém ama ninguém.

O partido sempre teve no racha o seu estado natural.

A iminente saída da sigla do ex-governador e ex-candidato a presidente da República Geraldo Alckmin é só um desdobramento dessa tradição. Alckmin foi um dos fundadores do PSDB e até pouco tempo guardava com orgulho sua ficha de filiação — "a ficha número sete", como gosta (ou gostava) de lembrar.

O futuro ex-tucano pensa em viabilizar pelo DEM ou PSD o seu projeto de concorrer ao governo de São Paulo mais uma vez. Está, portanto, definitivamente fora das congestionadas prévias que, em novembro, definirão o nome do PSDB para candidato a Presidência da República.

Em outros tempos, o resultado da rinha tucana interessaria quase que exclusivamente ao partido. Neste momento, porém, a expectativa pelo resultado da contenda extrapola as fronteiras da sigla.

Isso porque dele depende em grande parte o futuro —ou definitivo enterro—do projeto conduzido pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) e lideranças partidárias para tirar um nome capaz de quebrar a polarização Lula-Bolsonaro em 2022.

Para algumas dessas lideranças, se das prévias de novembro sair vencedor o governador de São Paulo, João Doria, a adesão do PSDB ao projeto da terceira via fica menos provável. Mesmo caciques tucanos consideram que o governador, cuja influência política está concentrada nos limites de São Paulo, resistiria a participar de uma aliança em que não fosse ele o cabeça de chapa.

Já se o vencedor for Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, ou Tasso Jereissati, senador pelo Ceará, as chances de composição aumentariam consideravelmente, avaliam essas lideranças. Para uma delas, a eventual vitória do cearense nas prévias tucanas abriria uma porta inclusive para uma composição do grupo com o também cearense e aliado histórico de Tasso, Ciro Gomes (PDT-CE), que hoje disputa o eleitorado de Lula e começa a fazer acenos para o centro.

Os envolvidos na procura pela terceira via sabem que o destino do projeto está atado aos tucanos. E para quem busca a união, isso não é exatamente um alento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL