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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como o dinheiro influenciará a definição dos candidatos à Presidência

O ex-presidente Lula: quem, no PT, ousaria contrariá-lo?  - Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo
O ex-presidente Lula: quem, no PT, ousaria contrariá-lo? Imagem: Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

22/09/2021 12h09

Se fosse pela vontade da maior parte dos políticos, seus partidos nunca teriam candidato próprio à Presidência da República (a lógica só não vale para o PT, por motivos que abaixo se explicará).

Isso porque, com o financiamento privado proibido por lei desde 2015, o dinheiro para as campanhas vem basicamente do Fundo Eleitoral — e ele não é elástico.

Quem lança um candidato ao Planalto tem de reservar uma boa parte dos recursos para a empreitada. Quem não tem candidato próprio fica com mais dinheiro para dividir entre os pleiteantes a deputado, senador e governador.

É por isso que hoje, em todos os partidos que acenam com candidaturas à Presidência, há resistência à iniciativa.

No PSDB, essa resistência afeta diretamente o curso das prévias que irão definir se será João Doria ou Eduardo Leite o candidato do partido à sucessão de Bolsonaro.

Uma ala liderada pelo deputado Aécio Neves (MG) defende a candidatura de Leite, governador do Rio Grande do Sul, inclusive e sobretudo porque sabe que, sendo ele o vitorioso nas prévias, o PSDB, em vez de lançar candidato próprio, poderá compor com outras siglas de centro e assim direcionar a verba do fundo eleitoral para as candidaturas a deputado, por exemplo.

Aécio, que como muitos de seus pares, acostumou-se à generosidade da iniciativa privada para tocar suas campanhas, agora tem nas verbas do fundo eleitoral uma condição fundamental para garantir sua sobrevivência política.

Para integrantes do PSL e DEM, a situação não é diferente.

Caso o projeto de fusão das duas siglas se concretize, a legenda que surgir dela já entra em cena com pelo menos três presidenciáveis —Luiz Henrique Mandetta e Rodrigo Pacheco, do DEM; e José Luiz Datena, do PSL.

A partir daí, o DEM-PSL terá de definir seu projeto principal, e se ele levará em conta a resistência das bancadas temerosas de ver o cofrinho do partido se esvaziar.

A única sigla em que o dilema —canalizar recursos para campanha presidencial ou investir na formação de uma grande bancada no Congresso — não existe, ou pelo menos não é discutido, é o PT.

E não apenas porque, como dono da maior fatia do fundo eleitoral dentre todos os partidos, ele tem recursos de sobra.

É que lá, quem manda — ontem, hoje e sempre — é Lula.

E Lula ninguém ousa contrariar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL