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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Terceira via tem candidata mulher e congestionamento de nomes vai até abril

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

09/12/2021 11h32

Em levantamentos recentes, o pesquisador Maurício Moura, do instituto Ideia, surpreendeu-se com a alta porcentagem de eleitores que dizem desejar votar em uma mulher para a Presidência da República.

Até agora, essa questão não havia aparecido nas pesquisas — seja porque ninguém havia perguntado ao eleitor sobre ela, seja porque o único nome até há pouco aventado, o da empresária Luiza Trajano, não foi adiante por falta de interesse da própria.

Ontem, o MDB apresentou Simone Tebet.

A senadora pelo Mato Grosso do Sul é a primeira representante do gênero feminino a adentrar a convulsionada arena eleitoral de 2022, que no chamado campo da terceira via tem ao menos mais seis nomes: Sergio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Rodrigo Pacheco (PSD), Alessandro Vieira (Cidadania) e Luiz Felipe D'ávila (Novo).

Tebet, além de política experiente, tem um perfil ao agrado do eleitor conservador: é casada, católica, advogada, professora e pertence a um partido de centro.

É, no entanto, pouco conhecida nacionalmente, tem baixíssima influência nas redes sociais e, ao menos por enquanto, nem seu partido aposta de verdade nas chances de ela se tornar competitiva.

Ou seja, como todos os candidatos da terceira via, Moro incluído, Tebet tem prós e contras que, somados, se mostram até agora insuficientes para fazer frente à polarização Bolsonaro x Lula — polarização essa que fica mais forte quanto mais se fragmenta o campo alternativo ao dos hoje favoritos.

Esse cenário de caleidoscópio só começará a ganhar nitidez a partir de abril de 2022.

Pelo calendário eleitoral, encerra-se nesse mês o prazo para que os políticos definam os partidos pelos quais concorrerão nas urnas.

Apenas depois disso começam as negociações entre as siglas interessadas em se coligar.

No caso dos candidatos à Presidência, é hora de começar a definir, por exemplo, quem se junta a quem, quem será vice de quem e quem irá deixar a corrida para apoiar quem.

Abre-se aí a temporada das desistências — em que o renunciante vale mais quanto mais pontos nas pesquisas apresentar no momento. Em troca do apoio ao candidato mais forte e do tempo de TV que irá lhe oferecer, o desistente e seu partido levam promessas que vão de apoios e cargos futuros a sabe Deus o que mais.

Partidos "profissionais" como o MDB, de Tebet, têm por tradição levar seus candidatos até o último instante para então desistir deles e passar a se dedicar às campanhas proporcionais, notadamente as que elegerão deputados federais, já que é o tamanho da bancada da Câmara que definirá o valor do fundo eleitoral a ser recebido pelas siglas na próxima campanha.

Hoje a terceira via é uma miragem — quem tem muitos não tem nenhum. Aos partidos detentores de candidatos interessa no momento valorizar sua mercadoria. O que farão com ela depois, só a partir de abril se saberá.