Wálter Maierovitch

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Opinião

Biden e Hamas querem prolongar trégua; Netanyahu faz exigências

Termina hoje a trégua de quatro dias acertada, por mediadores, entre Hamas e Israel. A pergunta que não quer calar resume-se a uma eventual prorrogação do pactuado.

Incertezas

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no momento, pressiona o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, para aceitar o alongamento desse prazo.

O Qatar, principal mediador por ter financiado o governo administrativo do Hamas em Gaza por anos, está empenhadíssimo nisso, até para melhorar a sua imagem internacional.

Netanyahu, dado internamente como o grande culpado pela falha na segurança ensejadora do trágico ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro passado, cumpre o papel de populista de sempre.

Para aceitar um prazo maior de trégua, Netanyahu apresentou uma exigência: um dia de prorrogação em troca de dez reféns. Entregue o último refém, prosseguira o conflito bélico, consoante deixou claro.

Ontem, ao visitar tropas exibindo-se com colete à prova de balas e capacete de aço na cabeça, discursou perante os soldados e a imprensa. Bibi Netanyahu sustentou estarem os objetivos sendo alcançados. Frisou ter Israel por meta final a destruição do Hamas. Arrematou o discurso com a promessa de Gaza não voltar a ser o que era antes.

O Hamas deseja estender o prazo por mais dois ou três dias, conforme informou a France Press. Pelas informações reiteradas dos seus líderes, a organização Hamas precisaria de um prazo maior para reunir reféns espalhados com outros "grupos de apoio".

O termo "grupos de apoio", usado no plural, gera a especulação de cogestão de reféns, com a Jihad palestina e o Hezbollah libanês.

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Direito internacional

No Direito das Gentes não existe algo mais frágil do que um acordo de cessar-fogo, condicionado ou não à entrega de reféns.

Embora alicerçado no princípio da "pacta sunt servanda" (o pactuado deve ser cumprido), não existe como fazê-lo cumprir, restando apenas sanções internacionais.

No conflito em curso entre Hamas e Israel tudo fica mais frágil porque o Hamas não é um estado nacional. E o Direito das Gentes trata das relações entre estados. O Hamas é tida como uma organização terrorista árabe-sunita apoiada pelo Irã, estado muçulmano-xiita, mas não árabe.

Na verdade, é o receio da reprovação da opinião pública internacional que leva ao cumprimento do pactuado, embora sempre apareça a justificativa de uma das partes haver violado sem causa o estabelecido.

Biden e Bibi

Segundo as agências europeias, o presidente Biden telefonou e falou com Bibi Netanyahu no domingo. Uma nota oficial divulgada depois da conversa telefônica dá conta que "os dois líderes estão convencidos que o trabalho não terminou e continuarão a trabalhar em conjunto a fim de garantir a libertação de todos os reféns".

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Bibi assegurou aos agentes de inteligência dos EUA haver eliminado cinco líderes de papel chave no Hamas. Esses líderes teriam comandado a execução das ações terroristas do 7 de outubro último.

Os nomes foram passados por Daniel Hagari, porta-voz militar de Israel, aos 007 da inteligência dos EUA. Seriam os seguintes:

  1. Ahmed Ghandour
  2. Aiman Siam
  3. Wael Rajeb
  4. Farsan Khalifa
  5. Rafat Salman

Abu Mazen

O impopular presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, também conhecido por Abu Mazen, não quer ser esquecido.

Pelo jeito, percebeu Abu Mazem estar o Hamas enfraquecido e, como sabe estar sendo costurada uma solução pós-conflito pelos países árabes moderados, EUA e Israel, não quer ser posto de lado.

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Abu Mazen convocou a imprensa para declarar estar disposto a receber a faixa de Gaza para ser governada pela ANP. Usou uma frase do secretário de estado americano Antony Blinken, ou seja, de a Palestina ser única e indivisível: "Gaza é parte inseparável do Estado Palestino", disse ele.

Abigail: a dor como lição

Nos EUA, em Israel e no mundo civilizado, a libertação da menina Abigail Mor Idan, de 4 anos idade completados no dia 24 de novembro passado, representou um bálsamo. Ela tem dupla cidadania, americana e israelense.

Abigail assistiu o pai e a mãe sendo metralhados pelos terroristas do Hamas no dia 7 de outubro.

Depois da execução dos pais foi levada como refém, pois crianças contam sempre para pressionar negociações e têm valor alto de troca.

De fato, crianças contam nas trocas, mas, com relação a Abigail, o Hamas deu um tiro no pé, como se diz no popular.

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O Hamas deixou a menina órfã e com o trauma de ter assistido à execução dos genitores.

Abigail, para os que tinham dúvida, consolidou a imagem de representar o Hamas uma organização terrorista.

Mas a criança Abigail mostrou também o erro e a insensibilidade de Israel ao promover ataques a colocar em risco e matar crianças.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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