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Veja quem errou e quem acertou no último debate entre candidatos de SP

Vista geral dos bastidores do último debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo - ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO
Vista geral dos bastidores do último debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo Imagem: ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO

Carolina Marins e Douglas Maia

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em Curitiba

13/11/2020 01h40Atualizada em 13/11/2020 19h36

O último debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo foi marcado por troca de acusações entre os candidatos e dados exagerados. Saúde, transporte, faltas legislativas e população em situação de rua foram alguns dos assuntos citados pelos concorrentes à prefeitura.

Veja quem errou e quem acertou no debate promovido pela TV Cultura na noite desta quinta-feira (12).

Quero deixar claro antes de mais nada que sou o único candidato de todos aqui que abriu mão do fundo eleitoral para fazer campanha.
Arthur do Val (Patriota)

Verdade, mas

A afirmação é verdadeira se considerar os candidatos que estiveram presentes no debate. Porém, Do Val não é o único a não utilizar o fundo. O então candidato do partido Novo, Filipe Sabará, também não utilizava o fundo, mas ele desistiu. Levy Fidelix (PRTB) também não utiliza.

No entanto, segundo reportagem da Folha, ao menos três de seus assessores com cargos comissionados na Assembleia, que recebem salário pago pelo Legislativo, tiveram atuação em sua campanha. Além disso, há uso indireto de dinheiro público pela candidatura ao utilizar o horário eleitoral de TV e rádio. A campanha de Do Val diz que não há incoerência e que os assessores participam de atividades como apoiadores.

Como vai tratar a questão da Cracolândia. O que vai fazer para resolver a situação de quase 28 mil moradores em situação de rua?
Celso Russomanno (Republicanos) para Marina Helou (Rede)

Os dados da prefeitura mostram que temos 24 mil de pessoas em situação de rua. Com certeza estão maiores por conta da pandemia.
Marina Helou em resposta a Celso Russomanno

Marina acerta, Russomanno infla

O dado sobre as pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo está correto quando citado pela candidata Marina Helou, mas aparece inflado quanto utilizado por Russomanno. Segundo a prefeitura, atualmente são 24.344 as pessoas em situação de rua.

Poucos dias atrás o senhor estava botando fogo em prédio na [avenida] Paulista e queimando pneu na rua. É réu por depredação de patrimônio público.
Arthur do Val para Guilherme Boulos (PSOL)

Exagerado

Boulos é réu desde 2013 em São José dos Campos (SP) em processo sobre as manifestações ocorridas na desocupação de uma área conhecida como Pinheirinho, em 2012. No entanto, o candidato não queimou nenhum prédio na avenida Paulista.

É fundamental que São Paulo tenha saúde da família. Hoje apenas 40% da cidade é coberta com esse sistema.
Orlando Silva (PCdoB)

Verdade

Segundo dados que vão até dezembro de 2015, a cobertura da Estratégia em Saúde da Família na cidade de São Paulo era de 39,9%

Como explica que seu candidato a vice é alvo de investigação de superfaturamento no aluguel de imóveis para creches.
Joice Hasselmann (PSL) para Bruno Covas

Verdade

O vice na chapa de Bruno Covas, vereador Ricardo Nunes (MDB), é alvo de investigação que apura suspeita de superfaturamento no aluguel de creches privadas que mantêm convênio com a Prefeitura de São Paulo. Covas defende o vice dizendo que ele não responde a processo na Justiça, o que também está correto pelo momento.

O senhor [Bruno Covas] também esteve na Europa em uma viagem pessoal, enquanto São Paulo estava embaixo d'água, pessoas morreram em enchentes.
Joice Hasselmann (PSL)

Bruno Covas estava viajando no dia 11 de março de 2019.
Arthur do Val

Verdade

O prefeito Bruno Covas pediu licença não remunerada entre os dias 9 e 15 de março de 2019, quando embarcou em voo para Lisboa em viagem que o prefeito atribuiu a "motivos pessoais".

No dia 11 de março, a capital paulista enfrentou fortes chuvas, que provocaram alagamentos e mortes por afogamento. A administração chegou a afirmar que a licença do prefeito não seria cancelada. No entanto, Covas retornou à cidade para uma reunião com o Comitê de Crise e uma coletiva de imprensa na manhã do dia 12, como informa a agenda oficial.

Eu fiz 400 km de faixa de ônibus
Jilmar Tatto

Verdade

De acordo com publicação no Diário Oficial da Cidade de São Paulo em 31 de dezembro de 2016, a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo na época de Fernando Haddad e sob gestão de Jilmar Tatto, implantou 423,3 km de faixas exclusivas destinadas ao transporte coletivo.

Estamos na 24ª semana consecutiva de redução de óbitos.
Bruno Covas sobre covid-19

Falso

Segundo o Boletim Coronavírus da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo, o número de óbitos causados pela covid-19 em São Paulo está caindo há 15 semanas. O último registro de alta no número de mortes foi em 14 de agosto. Nessa data, a média diária no município chegou a 79 óbitos. A média móvel do dia 12 de novembro está em 17 mortes. Vale ressaltar que queda na média móvel de mortes é quando a média de mortos de sete dias é 15% menor que a comparação de 14 dias atrás. Mesmo na plataforma do Ministério da Saúde é possível ver um pico na média móvel de óbitos da cidade entre os dias 31/07 a 14/08, com a média variando entre 60 a 72.

Após a publicação da reportagem, a prefeitura enviou a nota a seguir:

"O UOL errou ao colocar um selo FAKE na declaração do prefeito Bruno Covas sobre a cidade de São Paulo estar na 24ª semana consecutiva de redução de óbitos. A cidade vive a menor taxa de mortes por Covid-19 desde março, com média de 24,71 óbitos diários (média móvel de sete dias). No pico da pandemia na cidade, em maio, foi registrada média diária de 119 mortes. Mesmo com o retorno do funcionamento do comércio e de outros setores, a queda dos índices se manteve constante. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informa que divulga no Boletim Diário - Covid-19, dados referentes aos casos confirmados, suspeitos e óbitos confirmados pelo SIVEP- Gripe e E-SUS- VE e também óbitos acumulados por data de notificação e ocorrência, pelo Sistema de Informações por Mortalidade (SIM), do Programa de Aprimoramento das Informações por Mortalidade no Município de São Paulo (PRO-AIM). Os boletins podem ser acessados através deste link."

"Vale ressaltar que no caso dos óbitos, por exemplo, o sistema processa as declarações confirmadas e suspeitas em tempo médio de 3,5 dias, após o documento ser recebido na Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEINFO) da SMS. As divulgações diárias no Boletim correspondem à realidade de atestados recebidos até o momento do fechamento dos dados. Para dar mais transparência, a partir da edição 111ª, o boletim diário Covid-19 da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, do dia 14 de julho, incorporou informações como o número de óbitos de dias anteriores, a partir dos atestados recebidos; os dados referentes aos resultados das fases do inquérito sorológico municipal; o monitoramento geral da assistência hospitalar dos leitos de unidades próprias. A atualização do passado não muda o total de óbitos divulgados, apenas os distribui conforme a data em que aconteceram."

O senhor está usando empresas fantasmas?
Celso Russomanno para Guilherme Boulos

Falso

Russomanno repetiu fake news já usada no debate UOL/Folha. Ontem, a Justiça Eleitoral determinou que o Google retirasse imediatamente do ar um vídeo com informações falsas produzido pelo blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A decisão acatou um pedido feito pelo psolista e prevê aplicação de multa diária em caso de descumprimento.

Eu tenho 97% de presença na assembleia, um dos mais presentes, inclusive. O senhor tem 58 faltas no seu trabalho em Brasília.
Arthur do Val (Patriota)

Verdadeiro, mas

O site da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) disponibiliza o registro das presenças dos deputados. Do Val assumiu o cargo em 2019. Os dados disponíveis sobre o período —entre janeiro de 2019 e setembro de 2020— mostram que o deputado estadual compareceu a 239 das 349 sessões realizadas pela Assembleia, uma presença de 68,48%.

Mas a conta se aproxima dos 97% afirmados por do Val se forem consideradas as sessões com quórum regimental para abertura da sessão (82) e as sessões às quais o deputado faltou, mas justificou a ausência (16).

Em relação às minhas não presenças, eu estava no [Parlamento do] Mercosul.
Celso Russomanno (Republicanos)

Falso

De acordo com os dados disponíveis no site da Câmara dos Deputados, Celso Russomanno justificou apenas 21 das suas 58 faltas em comissões. Outras 37 não foram justificadas pelo deputado. Foram seis faltas em plenário, das quais três foram justificadas. A única falta que foi justificada como "missão autorizada" aconteceu no dia 13 de março de 2019.

Na legislatura anterior, Russomanno teve 132 faltas sem justificativa em comissões e outras nove em plenário.

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