Topo

40% dos brasileiros são migrantes; Centro-Oeste tem mais da metade de forasteiros

Fabiana Nanô

Do UOL, em São Paulo

21/09/2012 10h00Atualizada em 21/09/2012 17h20

Mais de 40% da população do Brasil é migrante. É o que revela a Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com dados de 2011 e divulgada nesta sexta-feira (21). De uma população de 195,2 milhões de pessoas, 78,2 milhões (40,1%) não mora na cidade onde nasceu, contra 117 milhões (59,9%) naturais do município.

Em relação à migração entre Estados e o Distrito Federal, o levantamento aponta um deslocamento de população menos acentuado. A maioria (84,5%) dos brasileiros vive na unidade federativa onde nasceu, ante 15,8% que mudou de Estado. Ao todo são 30,8 milhões de migrantes interestaduais.

Em 2009, 39,6% dos brasileiros não eram naturais de seus municípios de residência e 15,% não haviam nascido nas unidade da federação em que viviam. A tendência vem se mantendo desde 2003, quando os dados da Pnad indicaram taxas de 39,8% para migrantes entre municípios e 16,2% para não naturais da unidade da federação.

Para Iná Elias de Castro, professora de Geografia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a taxa de migração entre municípios é alta, pois “o Brasil é um país de urbanização recente, então as pessoas estão procurando as cidades para viverem. Esta cidade pode ser até o município vizinho”, afirma.

“O território brasileiro é muito dinâmico, com uma população jovem e uma economia que se expande, o que oferece muita possibilidade às pessoas. O maior dinamismo está nas cidades médicas. Então, muitas vezes os municípios em torno da capital são mais atraentes para certas pessoas”, acrescenta a professora.

Infográficos Pnad 2011

  • Arte/UOL

    O perfil dos domicílios

  • Arte/UOL

    O perfil das regiões brasileiras

Centro-Oeste

Em 2011, a região Centro-Oeste foi a que apresentou os percentuais mais altos de não naturais, tanto nos municípios (54% de migrantes) quanto nas unidades da federação (35,7% de migrantes).

O Distrito Federal é a unidade da federação onde o percentual de gente de fora é mais alto: 49,6%.

Já o Mato Grosso apresenta a maior taxa de migrantes nos municípios do Estado, com 61,9%.

O Nordeste, por outro lado, é a região menos procurada por forasteiros, tanto nos municípios quanto nos Estados. Em 2011, apenas 7,6% das pessoas vinha de outro Estado e 30,8% dos residentes nos municípios nordestinos eram de fora.

O Estado que possui menos migrantes nas cidades é o Piauí, com 26,9% de pessoas não naturais.

Já o Rio Grande do Sul é o Estado que tem mais pessoas que vivem na unidade onde nasceram - 96,1% da população local.