Presos mortos no Compaj denunciaram ameaças dias antes de rebelião, diz TV

Do UOL, em São Paulo

Uma carta escrita por dois dos 56 presos que morreram no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), em Manaus, no início do mês alertava que eles corriam risco de morte. Em 10 dezembro, Alcinei Gomes da Silveira, 24, e Gezildo Nunes da Silva,35, relataram que estavam sofrendo ameaças.

"Corremos risco de morte", escreveram na mensagem, divulgada pela Record TV. Silveira e Silva estavam em uma ala do Compaj para presos ameaçados.

A carta, de três páginas, foi anexados aos autos do processo no TJ-AM (Tribunal de Justiça do Amazonas) em 14 de dezembro, mas não chegou ao conhecimento do juiz responsável. A presidência do tribunal afirmou que vai apurar as denúncias da carta por meio da Corregedoria-Geral de Justiça.

Os detentos também denunciaram um sub-diretor do presídio, que receberia dinheiro da facção FDN (Família do Norte) para facilitar a "entrada de armas, drogas, celulares". "Onde deve fazer essa denúncia? Ninguém quer morrer", escreveram.

Reprodução/Record TV
Carta de detentos relata ameças dias antes de rebelião que terminou com 56 mortos

Nesta terça-feira (10), o UOL mostrou que o chefe da FDN, Gelson Lima Carnaúba, já foi condenado a 120 anos de prisão por uma chacina ocorrida em maio de 2002 no Compaj, em Manaus, mesmo palco de outro massacre promovido por sua facção criminosa no dia 1º.

Com duração de 13 horas durante o dia de 25 de maio de 2002, a primeira rebelião no Compaj resultou na morte de 12 presos e um agente penitenciário. Quatro anos depois, o líder do motim, Gelson Lima Carnaúba, fundava com o comparsa José Roberto Fernandes Barbosa a FDN, o terceiro maior grupo criminoso do país

"A regra número um [da FDN] é que nada é feito ou definido sem a ordem ou aprovação de seus fundadores e principais lideranças, quais sejam, Gelson Lima Carnaúba, vulgo "G", e José Roberto Fernandes Barbosa", aponta inquérito da Polícia Federal sobre a FDN.

O UOL entrou em contato com a Umanizzare --empresa responsável pela gestão do presídio-- e a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) e aguarda um posicionamento sobre a carta dos detentos.

Ressocialização?

Após o massacre de dezenas de presos no Amazonas, o defensor público geral do Estado, Rafael Barbosa, disse em entrevista ao UOL na segunda-feira (9), considerar que a chance de um preso se ressocializar nas atuais condições do sistema carcerário é "nenhuma".

"Não podemos simplesmente segregar uma pessoa e achar que ela, com outros criminosos inclusive mais violentos, vai voltar para o meio social ressocializada", afirmou.

Para Barbosa, mais que o sangrento conflito entre facções, a questão principal para a melhoria do sistema carcerário é a redução da superlotação e da quantidade de presos provisórios, com foco nos que cometeram crimes não violentos.

No sábado, quatro homens presos no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) --palco do massacre que deixou 56 detentos mortos-- por atraso de pensão alimentícia foram soltos em decisão judicial que atendeu pedido da Defensoria.

No cargo desde março de 2016, Barbosa disse que naquele momento só havia um defensor público responsável pela assessoria jurídica de presos e por verificar as condições de presídios no Estado. Desde dezembro, são dois. Agora, eles terão apoio de um grupo de 14 defensores para tentar diminuir o número de presos provisórios. Cinco já estão visitando os presídios desde sexta (6), segundo a Defensoria.

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