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Caso Marielle: Ex-PM preso foi expulso por fazer segurança ilegal

O ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, 46, foi preso acusado de participar do assassinato da vereadora Marielle Franco - Reprodução/Facebook
O ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, 46, foi preso acusado de participar do assassinato da vereadora Marielle Franco Imagem: Reprodução/Facebook

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

12/03/2019 08h47Atualizada em 12/03/2019 15h12

Preso na manhã de hoje por suspeita de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz foi expulso da corporação por fazer segurança ilegal em uma casa de jogos de azar no Rio de Janeiro.

Para a Polícia Civil e o MP do Rio, o sargento reformado da PM Ronnie Lessa, 48, seria o autor dos disparos no atentado, e Elcio Queiroz dirigia o Cobalt prata usado no crime. Os dois foram alvos da Operação Lume, realizada nesta manhã, e denunciados por duplo homicídio qualificado. Os advogados dos dois presos negaram que ambos tiveram participação no crime (veja abaixo).

Elcio Queiroz foi um dos 43 denunciados pela Operação Guilhotina, deflagrada em fevereiro de 2011 pela Polícia Federal. 

A investigação revelou um esquema de corrupção policial que incluía a venda de informações sobre operações e de espólio de guerra do tráfico, além do serviço ilegal de vigilância. 

De acordo com a denúncia do MP do Rio, Queiroz fazia parte um grupo de 13 pessoas que atuava como segurança em casas de jogos de azar nos bairros de Bonsucesso, Barra do Guaratiba e Botafogo. À época, ele estava lotado no 16º Batalhão da PM (Olaria).

Em 2016, a Corregedoria Geral Unificada da Secretaria da Segurança Pública decidiu expulsar Élcio e pelo menos outros sete PMs da corporação.

Suspeitos de ligação com o assassinato de Marielle e motorista são presos

Band News

Lessa foi preso em condomínio onde Bolsonaro tem casa

Lessa foi preso em sua casa, no mesmo condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem uma casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O delegado Giniton Lopes, da Delegacia de Homicídios, afirmou que não há qualquer relação entre Bolsonaro e o crime.

Contra Lessa, o MP também pediu a suspensão da sua remuneração e do porte de arma de fogo do policial militar reformado.

A Promotoria também pede que se pague uma indenização por danos morais aos familiares das vítimas, além de que seja fixada uma pensão em favor do filho menor de Anderson até que ele complete 24 anos de idade. Atualmente, ele tem dois anos de idade.

Além das prisões, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços dos suspeitos. O objetivo é apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. 

"A empreitada criminosa foi meticulosamente planejada durante os três meses que antecederam o atentado", diz a Promotoria.

O MP diz que "é inconteste que Marielle foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia". Para os promotores, o assassinato foi um golpe ao "Estado Democrático de Direito".

Lessa pesquisou sobre Marielle, diz MP

De acordo com as investigações, Lessa fez pesquisas regulares na internet sobre os locais que Marielle frequentava. O deputado estadual e atual deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e o, na época, interventor na segurança pública do Rio, o general Braga Neto, também eram alvo de buscas na rede.

O nome da operação, Lume, é uma referência a uma praça no centro da capital fluminense conhecida como Buraco do Lume. No local, Marielle desenvolvia um projeto chamado "Lume Feminista". Lá, ela também costumava se reunir com outros defensores dos Direitos Humanos e integrantes do PSOL. De acordo com o MP, outro motivo para o nome é que a expressão "trazer a lume" significa "trazer ao conhecimento público, vir à luz".

Outro lado

A defesa de Queiroz explicou que o ex-PM sequer estava no local do crime no dia. "Tenho certeza que não há foto dele no carro, nem muito menos gravação dele neste dia. Tenho certeza que a vítima que sobreviveu não vai reconhecer o meu cliente", explicou o advogado Luiz Carlos Azenha.

Ele classificou de "trapalhada" a medida do MP e da Polícia Civil. "Trata-se mais uma vez de outra trapalhada da Polícia Judiciária com todo respeito à gloriosa Polícia Civil, mas nós já vimos que esse procedimento criminal, persecução penal, vem de outras trapalhadas", disse.

O advogado Fernando Santana, responsável pela defesa de Lessa, também destacou a inocência do seu cliente. "Tive contato com ele muito rápido, mas ele nega que tenha cometido qualquer tipo de assassinato. Vou ter acesso ao inquérito, pois até agora não tive - primeiro está em segredo de Justiça, mas agora já peticionamos para poder termos ideia de como chegaram na prisão do Ronnie Lessa", afirmou.

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